quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hipopótamo # 9

Obra: Escher





22:30




        Sou gordo e nasci de uma família magra ainda assim vim a ser fatboy desse jeito.

Pode castigo maior?

Amo uma menina, um enigma. Com quem tive a melhor transa da vida, da qual só sinto ódio depois do fato ocorrido, preferindo na verdade meu amigo. Viciado em cockaine, riquinho cujo fetiche vê-la de quatro. Arrancaria um rim para tê-la, contudo escuto dela apenas um bom dia;

Boa noite;

Passa-me o amendoim.

Pode destino pior?

Meu pai e tão gay na mesma medida de um seriado enlatado americano, tanto quanto Paulo coelho é renegado pelos intelectuais, tudo bem nunca soube enfiar esse tal de Q.I avançado. Roberto esforça-se para dar lição de moral sobre mulheres, drogas, trabalho e acabo imaginando sua boca chupando um pau em algum beco de esquina.

Existe coisa pior?

Meu pênis e ridículo demais para qualquer discussão, já disse isso algumas vezes e detesto me repetir.

Existe coisa pior?

Quero com bastante molho;

Pode salsicha maior?

Esquecendo a transa surreal com karol, prefiro ficar masturbando-me junto a sexmachine do que pagar uma dessas estrelas de novela.

Pode parar de gemer um pouco?

Pode parar nesta estação estou enjoado?

Tem como tirar metade do meu peso e usar parte para aumentar meu pau?

Odeio cálculos difíceis

Posso escolher outra roupa?

Pode para de cagar na janela, pombos de merda?

Continuo seguindo o hipopótamo alucinado. Pode parar de reclamar ele diz!

Sim. Fácil. Aponte uma arma na minha cabeça e estoure os meus miolos, mas cuidado para não acertar barriga, nada de tiro nela hoje, pois almocei miojo.

Deus me odeia, renega meus familiares.

Por que você não entra para uma igreja para provar isso.

Pense...

Uma boa desculpa.

Quem vê cara não vê coração;

A justiça usa uma venda

Uma dessas beatas nem precisa fitar-lhe como um porco para te amar.

Amor?

Pode castigo maior entrar para uma igreja?

Meus pais me querem longe.

Estou perdendo amigos.

Dentes.

O amor da minha vida.

Perdi a faculdade.

O ultimo episódio daquela série da família de negros.

Deus me detesta.

Está é minha única verdade.




14:57




        Algum tempo depois minha vida tomou um rumo inesperado graças a um telefonema antes da hibernação habitual.

_Alo?

_ Alexandre, oi é o Alberto tudo tranquilo ai?

_ Claro!

-Coisa ruim. Afinal seria a primeira vez que ele me ligaria-

_ o que houve brother?

_ amigo to ligando pra te dar uma grande noticia...Vou casar com karol!

_ que bom!

-Noticia ruim!-

_ Além disso irmão, nós decidimos seguir o exemplo de Jonas e largar essa vida errada, entrar nos eixos.

-Péssima noticia!-

_ antes que esqueça: Feliz aniversario!

- Por sinal esquecera-se disto -

Jonas conseguia convertê-los bem rápido. Onde estaria meu bolo de aniversario, meus amigos, velinhas, presentes. Festividade em desligar o telefone e voltar a dormir.

Tempo depois os dois pombinhos seguiam viagem para alguma parte do interior, casa de uma tia de Alberto. Jonas parecia realmente um filho da mãe com sua indumentária religiosa.

Bíblia embaixo do braço;

Cabelo repartido ao meio;

Semana a semana querendo conversar sobre a salvação com um gordo completamente dopado. No inicio tratei de rir bastante como se fosse um bizarro mundo paralelo, todavia os dias aumentam a sensação que o mundo estava mesmo de cabeça pra baixo.

O meu mundo!

Acordei com barulhos estranhos vindo do quarto de Roxana. Caminhei assustado e fiquei paralisado ao vê-la gemendo em cima de papai, sussurrando meu nome no escuro. Detive-me e retornei para a cama.

Sonhara!!

Refleti ao constatar que Roberto estivera fora para viagem de trabalho...Pensei se estaria alucinado por dois pensamentos.



1º. Numa frase que lembrei “se não pode vencê-los junte-se a eles”



2º. Quem era o homem escondido nas trevas entre as pernas da mamãe?



Passei dias dormindo ruminando bem baixinho tais acontecimentos e aos poucos percebi estar rezando de alguma forma. Perdido em pensamentos e ao suor que escorria, logo indaguei;

Não tenho salvação!



20:30



      Não encontrei nenhuma salvação, mas embutido da primeira ideia caminhei pelos cascalhos da vida e praça central. Parei perto do grande templo erguido com suor e sangue. Ali mora o senhor, bola de neve, aquele que me odeia, roubou amigos, trouxe vazio a um coração fraco e não retive duvidas ao entrar na casa e perante olhos atentos, gritar;

_ Sim quero ser salvo!!!



A plateia descrente pela atitude não percebe que a vida continua. As flores morrem caindo em qualquer terreno imundo pelos montes de lixo largados. Pessoas correm como porcos em busca dos restos de muitos jantares, todos infelizes.

O verão aquece o mercado e queima a pele pronta para biquínis e algumas cervas na praia. Comercias visando o lucro, dane-se hidratação, alimentação, apenas cartão de credito.

Barba cresce,

Cabelo cai.

Barriga cresce,

Pênis adormece.

Pombos voam e o hipopótamo passeia livre pela colina. Não estou com fome, pois acabei de digerir comida de plástico, tranquilizantes misturados no copo, no sorriso do palhaço.

Jorrado na cara dos espectadores.

Atônitos eles percebem a virada ocorrida, nenhum plano, desculpa, quaisquer palavras.

Deus escreve certo por linhas tortas.




por Thiago Mendes