segunda-feira, 24 de junho de 2013

Beat I






Vou homenagear:

Todos os perdedores; nós que aqui estamos nesse bar, de bar em bar, de cerva a cerva, entramos no inferno, e não vamos sair, porque não temos dinheiro para pagar a conta e há muitos pratos a serem lavados;
Todos os cães querendo enrabar seus irmãos, não há cadelas no momento, pois enquanto isso os homossexuais estão dando o cu nos escuros becos, não sou preconceituoso, os casais também estão querendo tomar no rabo!
Todos os que não têm nome, mas fome, os sem pernas da praça, os sem olhos esmagados nos asfaltos, os com filhos, quase cem, quase sempre sem ter o que comer, enquanto nós passamos os fedidos, e Werther ri do império do silêncio vendendo peidos a qualquer preço!
Todos os fudidos, aqueles que sabem que são e os que não perceberam que são. Todos são, nem todos em sã consciência até por que Bernardo continua dando boas doses infernais a suas veias, e sua mente não anda bem das pernas, mas temos pernas fortes, andamos o dia inteiro nesse sepulcro chamado sociedade ou como diz Baby, São motherfucker Gonçalo;
Todos que tentam escrever poesia Ginsberg, mesmo que apenas sabendo alguns versos comprados numa bienal quaisquer ou tentam comer essas piranhas de difíceis nomes, quase sempre grávidas ou esperando um pinto bom de cama, pobre Fumaça, quando conheceu uma dessas e percebeu que a vida não é apenas doce, mas talvez amarga, acida, escura e sem camisinha;
Todos os machos machucados de tanto darem a bunda num supermercado onde Violet planeja roubar uma bala halls, pois o bafo de maconha incomoda a bicha do Rudy que espera sua vez para chupar um pau no mictório de Duchamp, ele revela ao sair rindo do banheiro, um de seus muitos conhecimentos de arte, parte meu coração o adjetivo odiador de veado, até por que odeio a maioria desses seus rostos cansados de tanta porrada, mulher que apanha do marido, marido que apanha do patrão, patrão que apanha do seu companheiro, liberdade não se ganha, mas sim se conquista!

Todos os tolos que desejam uma mudança social e ficam discursando em frente a estômagos machucados de tanto vazio, vazio de palavras, vazio de amor, nada de sexo diz minha irritante última namorada e mesmo aqueles como Patback querendo algo melhor, presos a tantos nos, tantos prós que acabam esquecendo a melhor Vida, pois estão ocupados tentando fazer o que você nunca fez, e no final serão esquecidos como nós os ferrados, os sem nome e tu ri ao soletrar teu pequeno nome de merda, fazemos a mesma merda, mas não somos iguais, vocês se acham mais predispostos pro mundo real, nós achamos todos esses nomes de merda uma verdadeira merda, somos os fudidos, mas não somos essa merda que vocês chamam de vida! 



Thiago Mendes