terça-feira, 27 de maio de 2014

Hipopótamo # 7




Obra: Escher


Para quem perdeu as pistas , segue as pegadas do Hipopótamo.


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01:00
 
 
 
       Uma conhecida puta no meio de uma multidão de homens e cervejas. Parado na vila/morro sou alvo fácil;
_Panda!
_ Não tenho dinheiro, algo melhor!
Pego-a pelo braço entramos no formigueiro.
Cheiro estranho.
Estranhos.
Latinhas esmagadas pelos sapatos.
Escadinha escondida entre barracas de comidas típicas.
Todo o caminho não surpreende, sou neto de guerra.
Quartinho pequeno com péssimo ventilador.
Camisinhas.
Monto em cima da cadela que já sai gritando tudo.
Meu peso imagina.
Dez minutos, e o tudo termina com a cara gozada.
Cheirar numa barriga magrinha depois de suar alguns litros de merda e cerva.
Essência do sexo.
Grudado feito chiclete ruim nos narizes trabalhando.
Trepar mais um pouco.
Gozamos.
Adoro o efeito disto na minha vida e a facilidade não se compra.
Sem dinheiro;
Carteira recheada;
Pinta boa ou;
Um belo pinto.
Uma piranha boa de napa pronta para transar com o gordão cheio de brizola.
Simples assim.
Atalhos. Cheios deles.
Como cliente frequente já sabia qual menina servia. Engraçado consistia em ver uns playboys tomando fora dessas meninas.
Realidade.
Não suas minas de cabelo armado e traseiro empinado.
Suas lourinhas querendo ser nossas cachorras, com seus narizes sangrando, chorando ao tomar no cu.
Quantas meninas da faculdade.
Tipo modelos de exportação.
Vendendo seu corpo para pagar universidade.
Cursinhos.
Visita ao cabeleireiro.
A vida se resume em comer ou servido.
_ sinta-se em casa meu rei
Desejo karol, mas vou descontar em sua bunda mesmo.
Ela geme novamente e chego a desconfiar de todo o espetáculo.
Boas atrizes.
Muitas delas no puteiro.
Na cama.
Na sua cama fingindo.
Arte.
Fingir é uma arte não importa a idade.
Alguém me disse.
Meu pênis nunca fora exaltado desta forma.
Ela afirma que sou um animal!
-Vejo-a na tv as oito dizendo meu amor -
Ela grita enfia essa porra!
-Escuto, desconta este cartão -
Transando com a nova estrela da novela do horário nobre, as outras estão espalhadas à espera de alguma câmera.
Algum grande irmão.
Vamos trepar feitas vadias.
Vamos brincar feitos carolas com suas crianças.
Estrelas.
Queremos ser admirados.
Quem não quer?
Karol é minha diva, todavia não passa de figurante do meu programa.
Foda com o gordo!
A protagonista chora cada vez mais!
 
 
07:13
 
 
 
      Acordei mais cedo que o habitual graças àlgumas paranóias postadas nas seções acima ou abaixo da minha cama.
Um rascunho.
 Mesa posta na cozinha e sol na janela. Fazia tempo que não tomava café com a família.
Torradas e alguns ovos mexidos.
Alguma bebida dietética para o meu pai.
Sucos e frutas para mama.
Despedidas para referidas saídas ao trabalho.
Um antigo seriado onde a família representa a felicidade não comprada.
Quarto grande dos meus pais e fito seu espaçoso espelho querendo autoafirmação.
Sou um escritor de sucesso e preciso de um bom livro.
Uma historia inovadora. Faculdade de letras e nada.
Nada de palavras.
Nem de orações.
Necessito delas concluo ao imaginar um gordo com as costas suadas demarcando o mapa do Brasil.
Never!
Aspiro às altas circulações.
Um Chuck e suas vísceras ou Douglas com seus guias.
Não posso ser invisível perante a sociedade.
E não quero ser póstumo!
Mente visualiza karol ao meu lado numa banheira duplex branca como a neve. Nua chamando-me:
_ Dear, vem logo a água ta uma delicia e sou toda sua!
Fama.
Cama.
K-rol.
Autógrafos, entrevistas, magazine!
Wake-up!
Ligar o computador, editor de textos, documentos em branco.
Silencio!
Sentado numa cadeira feita sob encomenda.
Espero...Algo divino, que os anjos hoje falem comigo ou que o chão se abra e Mefisto/proposta vinte quatro anos sem devolução. E nada!
Terra do nunca.
Há exato um ano cometo esse ritual e tirando alguns medíocres rascunhos nunca tive uma iluminação.
Uma vida sem graça.
Cativante.
Emocionante.
Atraente.
Ausências.
Aposto que pagam um real por ela.
Quero um cigarro, janela e mais café.
Banheira.
Os sinos batem dentro do templo.
Eureka!
Entrei na banheira jorrando todo a água pra fora.
O volume da ideia.
Corro gritando, achei! Pela casa, não nu, pior caio no primeiro piso.
Pela primeira vez algo inesperado.
Esperado por todos.
Pela fresta os vejo mexendo indo de um lado a outro.
Telhado, antenas, to ligado captando as ondas de uma nova radio.
Radiohead!
Rindo por que finalmente tive uma epifania – depois procuro no dicionário a correta palavra – O rato de asas.
Vou escrever sobre eles.
Tive uma ótima descoberta entre risadas constantes e uma vizinha debaixo gritando com o marido algo da guerra dos meninos da favela.
Chacina.
Crianças.
Mortes.
Sim!
Uma enorme big mac to com fome de ideia.
Retorno ao teclado para iniciar meu best-seller. Não posso esquecer os detalhes.
Agora sim vou entrar na banheira água morna hobby azul e ser chamado de amor.
Agora sim posso sentir dor da maldita topada/arranca unha.
Escreverei sobre pombos.
 
 
20:01
 
 
 
       Party prive.
      A chamada festinha apenas para nossa turma teve uma novidade com a presença do jovem existencialista e sua namorada. Jonas demorou e apenas no final deu ar da sua graça completamente chapado devido a algum chá, contudo os acontecimentos a seguir tinham todos uma intenção maior.
Assim acreditei.
Sentados nas poltronas e uma mesinha redonda junker, escutando alto som, rock, entre alternativo, indie, pop, punk e tantas outras definições.
 
Bjork.
 
_ o que ela quer dizer com essas musica?
_ ela é muito gostosa!
_ lésbica?
 
Beatles.
 
_ quem matou Lennon?
_ quem matou Paul?
_ Paul morreu?
 
Pavement.
 
_ cuspo na cara de um estranho?
_ muito estranho o som!
_ Adoroooooooooooooo!
 
Sex pistols.
 
 _ dor de cabeça!
_ porra, muito bom!
_ acho que vou vomitar!
 
E foi assim que Alberto deixou-nos neste dia para se aventurar pelos labirintos daquela casa. Mesmo morando nela, encontrar um dos três banheiros entre varias portas, subidas, corredores, missão das mais sinistras. Acabou vomitando pasta verde bosta num quarto com um leve cheiro de rosas. Ele não me contou isso, visto que passei pela mesma situação uma porção de vezes.
Voltemos para sala.Onde não havia aversão do que saia da minha boca mais sim, muita diversão. K-rol parecia rir como presenciando um episodio Seinfield/Kramer.
Garrafas ficando vazias rápido demais para o tesão que aumentava pelos olhares de k-rol. Sartre e Simone despedindo-se de nós. Despindo K com a maior arma que possuía, a boca. Reclamando de calor nem pensei no grande ar-condicionado split de 60.000 btus que pairava acima de nossas cabeças.
Pode rir.
Seus seios perfeitos, molhados devidos ao suor e saliva caída da minha língua de encontro a sua.
Beijos suculentos.
Ninguém refletiu no melhor amigo roncando alegremente no quarto ao lado.
Deitados, desajeitados pelo álcool, ela descasca minha roupa e começamos a trepar.
K começa a gemer e reparo no meu pênis que parecia gente grande.
Pode rir, mas nada de se masturbar!
Intervalos, respiração tensa.
Com uma voz rouca enfiada dentro do meu ouvido;
_ essa foda está demais!
Quero mais.
_ você ta me comendo toda!
Quero você sempre.
_ Nunca vou esquecer disso caralhooo!!!
Amo-te menina.
_vou fazer algo pra lembrar disso, não esquecer deste dia.
Esqueça o Al!
_ meu querido hipopótamo!
Como?
Gozei, ela também algumas vezes, parecia que o tempo não intervinha naquela cena e se acaso Jonas não tivesse neste exato momento parado fitando karol montando um cavalo do mar selvagem, teria questionado melhor a ideia do hipo.
Alguns dias depois.
       E algo aconteceu para tumultuar ainda mais minha nada normal cabeça. Karol quase não falava comigo, parecia que respondia apenas por educação aos meus chamados.
Arrependida?
Por ter transando com o amigo do namorado?
Por fazer sexo anal com um gordo porco?
Por Jonas ter nos pego?
 
Nunca saberia a verdade daquela noite, do enigma k-rol.
Não conseguia evitar em pensar nisso e com a ajuda de algumas toxinas comecei a ter viagens alucinantes com o hipopótamo.








Thiago Mendes é o autor do conteúdo deste livro, do qual você está livre para copiar, queimar ou enfiar em qualquer lugar...Claro, não esqueça de dar crédito ao autor.