terça-feira, 3 de setembro de 2013

Hipopótamos #3




21:55
  

        Estamos no mesmo bar de sempre, com as mesmas pessoas, bumbuns e batatas, todas murchas.

Mesa 5

Bebendo cervas baratas, amendoins baratos, barato que o pó continuamente nos revela.Adorooooooooooooooooo.Impregnando o ar com fumaça fedorenta, enchendo nossos pulmões de toxinas.Um dia como qualquer outro.Seria assim...Mas...A chegada de um garoto de cabelo vermelho. Fitou-nos durante meia hora, puxa papo depois de cinco cervas e um rubro maço de cigarros.      Dou atenção ao assunto que gira na mesa e para subitamente na minha face iradaCiúmes?O carinha é bonito!Não sou viado!As bocas continuam o debate. Deus, o garoto pronúncia para alegria dos meus amigos seu discurso.-Deus? Odeia-me-Vermelho no cigarro e cabelo, nome complicado, descreve uma cadeia de acontecimentos, diz que temos a mania de culpar:Culpamos por hierarquia,Nossos pais por sermos assim;Amores pela rejeição;Empregos pelo cansaço;Mulheres por impotência;Culpamos Deus por tudo e um pouco mais.Penso: Sou gordo, pênis curto e você com esse cabelo cool e belo rosto só cuspindo merda.Digo:_A quem devemos culpar?_ Seja responsável pelos seus atos, pois não faz sentido descarregar suas falhas em meios externos, mesmo que Deus exista, ele não é culpado por suas infelicidades. Crianças riem, brincam, pulam, mesmo que ainda suas barrigas gritem...Fome!!!“Enquanto tolos procuram culpados, sábios procuram soluções”.-ele nem ao menos diz quem citou isto-      Vejo Karol rindo a cada palavra dele, Jonas oferece o veneno branco recusado com total educação.Um careta de merda querendo dar sermão!O que ele sabe, veste roupas alternativas, deve ter uma namorada com gostosos lábios prontos pra chupá-lo.Eu não sou culpado pelo crime de nascer com mais de cem quilos mal distribuídos._ Esse é o meio de viver com dignidade a vida.Penso: Essa não é minha verdade.

  
18:58
  

        Ando com muito esforço pelos corredores da faculdade em busca de minha sala.13, 14,15...Onde a turma se espanta como Jason matando o casal bonitinho a fim de transar antes de minha entrada.Pra que o espanto?Eles sempre morrem.Uma menina grita algo antes de enfiar-lhe o facão rente ao peito.Não ligo para reclamações, já basta se acomodar numa cadeira nada confortável.Sou canhoto.E gordo.Sério, acordei bem hoje.Mal lembro da matéria, nem quantas faltas, o assunto ou o número de mortes.A única coisa da qual minhas retinas têm total atenção é o grande par de seios da professora. Virginia, nome sugestivo sempre portando um decote tomara que caia na minha boca. Duas grandes tetas, fontes de prazer ao longo do dia. Obcecado. Excitado, ao lado um ruivo discute qual seria a teoria mais completa. Completa meu x-tudo que na volta pego; claro sabia que minha presença não duraria mais do que uma ereção.      Retorno às paredes brancas do hospital, quer dizer do campus, afinal nenhuma vitima acidentada, todas mortas. O corredor vazio para uma continuação/carnificina e ao longe reparo no existencialista de rubro cabelo.-O idiota estuda aqui?-Atravesso seu caminho sorrindo pelo dia agradável, dele nem mesmo um reconhecimento. Meia volta, e dirijo-lhe a palavra. Ele seguidamente pede desculpas e quer saber como anda o povo.Bem cheio de fome;Sem moradia;Os meus amigos estão ótimos apareça sempre para termos nossa conversa, interrompida por uma menina ao fundo que o chama. Despedidas, apertos de mãos, trocar telefone deixando um churrasco marcado. O pior é que a vadia que grita no meio da praça de alimentação possui uma linda boca. O belo casal que consegue fugir das garras do monstro e das continuações. Vou atrás do meu lanche e descubro que o atendente por coincidência um ruivo encheu o sanduíche de mostarda, odeio essa porra.Odeio finais felizes.Foi péssimo dormir.


Pra quem perdeu o fio da meada...

Parte 1

Parte 2



Thiago "Plaz" Mendes