terça-feira, 15 de abril de 2014

Hipopótamos #6

Escher



        Para todos que acompanham a história ou esbarraram acidentalmente por aqui, segue os links das outras postagens. Assim ficará melhor acompanhar os devaneios desse personagem e por que não dizer, do próprio autor.

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Lex Talionis
 
 
 
      Na televisão vejo a historia de um homem que estuprou e matou a filha do vizinho.
Uma garotinha de apenas oito anos com ambições de dançarina de axé.
A caixa débil ganhando sinceros votos de ira. Esse desgraçado tem de morrer, porém nossa brava legislação com sua matemática cega. Pagar duzentos anos em pequenas parcelas de trinta. Na verdade uma única taxa de entrada. Bom comportamento dentro do inferno ainda vale algo. Cortada pela metade em alguns anos. Redução de impostos nunca!
Como fica a família perdendo sua pequena esperança pelas mãos de um monstro.
Nenhuma pena.
Nunca fui humanitas.
Sinto-me péssimo, pó e a cerva acabaram. Não tem nada nesta maldita espelunca e ainda por cima uns senhores com seu papo de direitos humanos e universais?
Uma atitude desta é humana e universal?
Sonho com este maluco desaparecendo entre pernas cabeludas dentro de um fétido banheiro/prisão.
Vendeta!
Por que estou tão irritado com toda esta cena. Merda de insônia, e agora esse canal evangelixo querendo pregar que o condenado sofria com o diabo no corpo.
Sofro com o maldito peso.
Renegado por deus.
Queimado pelo diabo comunista.
Estrelas caídas do céu largadas na portaria.
Qual o problema da vida. Pela janela tudo me parece mais cinza, menos real. Perdemos nossos últimos resquícios, da caverna ao hospício.
Embarquei no trem errado e quero soltar.
Ando vomitando pelas frestas toda hora.
Sonho?
Pesadelo!
Lembrança.
Karol e Alberto no bangalô de noite. Meu amigo abusou da mulher da minha vida.
My vida começou a ficar estranha depois disso.
Preciso de um banho.
Uma queda provocando o plano de vingança.
Passageiros a estação próxima fica a meia hora!
 
 
18:35
 
 
 
      Na piscina devia ter umas cinco pessoas. Dois moleques amigos do riquinho. E três meninas completamente doidas com os seios a mostra.
Alberto e Jonas esperando dentro da casa indiana.
Mesa.
Nela tudo que dopa e o dinheiro podem possuir, e botamos nossos narizes pra funcionar.
Fumaças pra saborear e dizemos besteiras apenas pra sacanear.
Jonas pede camisinhas e chicletes ao meu bolso e some junto com uma das meninas topeless deixando vela acesa na minha mão, na outra um baseado apagado por que Karol decide ir embora e seu namorado parece insatisfeito com isso.
Ela. Sonolenta, pedindo, por favor, pra voltar pra casa;
Bad trip?
Eles discutem e Al ligadão como árvore de natal das ricas mansões da vizinhança começa a arrancar a roupa dela.
_ Feche a porta panda!
Antes de continuar; O panda consistia num apelido que Jonas dera-me pela nossa amizade. Branco e grande, cheio de pó e gordo.
Ela desfere olhares e nenhuma resistência para os braços dele.
Olhares pedindo ajuda. Nada faço enquanto presencio Alberto enfiar seu pênis na bunda branca dela.
Alberto rindo totalmente alterado.
Fujo correndo da cena.
Caio dentro da piscina vomitando os dois cachorros quentes e meio do almoço.
E noto.
O barulho das meninas e dos meninos transando na borda.
Jonas fazendo sexo oral numa negra gostosa.
Nunca pensei que alguém não pudesse me notar.
Nesse dia percebi que havia algo errado comigo por não ter agido ou com Deus nada de milagre ou com a coca daquele morro.
Jamais saberia ao certo.
Apenas a cabeça girava em estranhos pensamentos e acabei vendo pela segunda vez um hipopótamo na imensidão do fundo azul.
Não podia ser coincidência.
 
 
04:00
 
 
 
      Ando pelas ruas com muita pressa afinal equilibro-me sozinho entre latões de lixo e despachos do preto velho. Felicidade transcorrida em cada movimento abobalhado dos braços.
O fétido cheiro do ar não confunde o perfume impregnado dentro do meu cérebro e das roupas.
 Agora me encontro completamente sozinho em busca da minha casa. Pelo menos penso assim.
Antes fumar um cigarro.
Dopado de erva.
Uma longa aventura se inicia.
As vermelhas velas parecem querer me indicar algo.
Paranoico.
Entre ossos de uma suposta baleia pensadora caída do céu.
Trevas.
Surgem cachorros seguindo meus passos e não sei se acaso eles estão dispostos a me enrabar ou conversar comigo.
A segunda opção vira realidade devido a um vira lata com dentes sujos de carne podre que late:
_vou te matar au au!!
Senti uma terceira pior opção. Um sacrifício com velas, caixa torácica, lua cheia e seguidores de Rin Tin Tin.
Por sinal toda sua geração.
Cinco!
Continuar assim ficara impossível, decidi correr com isso encurtaria o caminho, na verdade, quando se encurta se engorda a coisa e minha barriga é pesada e fofa de menos ao tombar de encontro ao chão.
Abatido feito time rebaixado para segunda divisão.
Respiro fundo. Levanto a cabeça, ninguém para ajudar.
Melhor.
Silêncio.
Nem sombra dos cães.
Menos au.
Um hipopótamo passeia pelos paralelepípedos da grande avenida esqueci o nome/lembro depois.
Loucura.
Aproxima se, um largo sorriso bem amigável.
As armas são suas bocas.
Sei como é esse negócio.
Todo machucado conto com sua ajuda para me acompanhar caso aconteça uma possível revolta dos gatos infernais. No momento em que a mente parece restabelecida, em casa!
Sonhei?
Ainda bem que não acordara dentro de um saco de plástico.
Novamente paranoico.
Mas.
Uma ideia toma conta do espaço reservado àlguma atividade criativa.
O melhor dia da minha vida.
Certamente o mais surreal possível.
As possibilidades seriam muitas.
Vou escrever um livro!
 

Thiago Mendes é o autor do conteúdo deste livro, do qual você está livre para copiar, queimar ou enfiar em qualquer lugar...Claro, não esqueça de dar crédito ao autor.