quinta-feira, 28 de março de 2013



“De fato parece que se sou obrigado a não fazer mal a meu semelhante, não é tanto porque ele é um ser racional, e sim porque é um ser sensível, qualidade que, sendo comum ao animal e ao homem, deve pelo menos dar a um o direito de não ser maltratado inutilmente pelo outro”

                                                                                         Rousseau*










Vegetarianismo?

   Ao pensarmos nele logo vem em mente a ideia de sacrifício em evitar comer carne de animal. Um dia desses uma senhora cristã afirmou que sua penitência seria ficar sem engolir carne de animal por 40 dias.

Amém!

Contudo o sacrifício não é nosso, mas sim dos bichos expostos a todo tipo de tortura em nome de um tipo de vida afirmado como “normal”.

Normal, aqui em aspas, pois não posso negar-me a enxergar qualquer tipo de exagero por parte dos produtores ao fabricarem nossa carne de cada dia.

Exageros?

Numa sociedade consumista e individualista como a nossa, que preza, a pressa nas relações e nos conceitos chaves.

Suas fábricas acabam tornam-se verdadeiros infernos.

Manipulação genética.

Matadouros.

Torturas.

Circos.

Zoológicos.

As galinhas expostas eternamente, ou melhor, ao durarem suas parcas vidas, a luz artificial.Resultado de uma mais valia ultra produtiva.

Laboratórios lotados de seres enjaulados em suas próprias pesquisas. Relação produto final e final de vida. Dos bichos. Ganhamos novos batons, odores caros e ricos em encobrir o cheiro dos mortos.

Golfinhos presos em parques divertidos lotados de crianças que notam surpresas como o bicho é inteligente ao pegar o peixe do seu dono.

Donos,

No passado o homem era dono de outro homem, sujeitando-se a todo o tipo de exploração.

Objeto de nossos próprios prazeres.

No passado?

Como ficaremos no futuro?


   Comer ou não carne, eis a questão, porém o importante é ter exata noção do sofrimento dos animais em nome de muitas coisas sagradas para nós, outras possivelmente não.


Posso não chamar de fútil comida aos necessitados.

Mas chamarei de inútil pele de animais para socialites



   Nas palavras de um texto que saiu no Le Monde Diplomatique:


Talvez nenhum animal -exceto o ser humano- seja capaz de se reconhecer em um espelho, mas nenhum humano é capaz de voar ou de respirar debaixo d água sem ajuda. A resposta, bem entendido, é que nós o proclamamos. Mas não existe razão alguma para concluir que as características pretensamente exclusivas do ser humano justifiquem o fato de que tratemos o animal como uma propriedade mercantil. Alguns seres humanos são privados destas características, e, no entanto, nós não os consideramos objetos. Por conseguinte, a questão central é: os animais podem raciocinar? Ou: podem falar? Mas, precisamente:

Eles podem sofrer?



Os abatedouros não têm paredes de vidro.



Para maiores informações:




http://www.apasfa.org/futuro/right.shtml        informações em português

http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/        em português.

http://www.peta.org/         em inglês



O texto do Le Monde Diplomatique é datado de setembro de 2006 aqui deixo o link para

o ler na integra :   http://diplo.uol.com.br/2006-09,a1386



* Essa citação de Rousseau foi tirada do livro Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens.




Thiago Mendes


créditos da imagem: http://sensesofcinema.com/2007/great-directors/jodorowsky/






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