domingo, 20 de março de 2016

Beat XIII




Vamos aplaudir:

Aos sinistros momentos cínicos que tomam conta de nossa sociedade;

Aos dramas encenados pelos papéis avulsos desse teatro;

A politicagem reduzida que se tornou nossas vidas;

Aplaudir aos heróis de nosso dia a dia.

Hero que cuidou dos gatos alemães;

Hero que foi o mais rápido nas trocas de cama dos Hostels e por isso mesmo a deusa sempre lhe brindava com baseados mágicos;

Hero que fez inimigos em Málaga graças a fotos impensáveis e insensíveis com nossos amores;

Hero que sentiu o ar em Amsterdã e foi quem melhor definiu essa terra ao combinar maconha, prostitutas e batatas fritas.

Gonzola que nunca se esquece de um poema e que entende do teatro melhor do que todos;

Sardinha que espremida entre meninas e trabalhos ainda consegue viver e sorrir;

A K e seus poemas fragmentados que preenchem cadernos.

Mandy que pula, salta, corre, prepara seus pratos espetaculares e ainda canta Di Melo;

A todos que ainda desejam quebrar o ovo e ver Abraxas despertar;

Bater palmas;

Aos índios invisíveis que aguardam ansiosamente seu lugar nos livros de historia, pois só resta isso para eles.

As mulheres que ainda são vistas como objetos de posse, de prazer, de escárnio, de procriação;

A nossa capacidade de tudo dividir sem quase nunca rir;

Aos deuses mendigos que se abrigam nas noites escrevendo livros que ninguém lerá enquanto são presas fáceis para as baratas e a violência;

Não comeremos mais pizzas e sim lama;

Tudo termina em lama;

Os xamãs profetizaram esta noite;

“Uatu Nek morreu”

“Uatu Nek morreu”

“Uatu Nek morreu”



Imagem: Foto

Autor: Thiago Mendes