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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Morro


Salvador Dali


A chuva que molhava as plantas e fazia alguns homens sonharem com melhor tempo em terras secas, tais como o inferno onde quase nada nasce e tudo um pouco morre, fez a tristeza daquele povo da região. As autoridades sempre preocupadas com a imagem cristalina dos televisores e dos índices de popularidade os havia esquecidos por completo.
A chuva não.
No morro ninguém sabia ao certo que aquele pedaço de terra que já foi feito de cemitério de escravos estava condenado.
Um relatório meses depois foi descoberto por algum gonzo perdido no meio de um número de papéis de todo o tipo, neles e entre eles estava o relatório condenando a colina e pedindo energeticamente que todos os habitantes daquele pedaço de terra fossem alocados para outra região.
A religião do povo daquela área estava dividida em grandes templos distantes e pequenos terreiros por perto.
Uma garota recorda um dia antes da catástrofe, que um preto velho tinha baixado e avisado severamente para seus filhos que aquela terra estava marcada de sangue.
Muita gente não entendeu, alguns resolveram cortar galinhas, outros diziam que era coisa do diabo. Outros, como a garota do relato, saíram dali imediatamente.
A chuva começou devagar, mas a tempestade cresceu durante a noite e os raios riscavam cada pecado dos pecadores que se reuniram no templo.
Quando a imprensa noticiou a catástrofe, um considerável grupo de pessoas já havia sido morto pelos escombros, outras insistiam em chorar ou ajudar nas buscas.
Foi decretado luto oficial.
Preto velho já avisou sobre os outros morros.
Mas as autoridades estão preocupadas demais com seus eventos midiáticos. O povo da região seca reza pela água do céu e os outros rezam para não cair nenhum raio em cima de suas cabeças. O pessoal do templo reza e pede benção, mas deus anda meio sem crédito e sua poupança vazia, logo depósitos e doações são bem vindos de todas as partes.


Plaz Mendes: Esse texto faz parte do livro “Prisão Amarela” pela Editora Multifoco. Interesse? Entre em contato!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Caranguejo


Caranguejo da Rua da Aurora — Recife-PE



José Bernardino é pescador desde a sua infância e atualmente sustenta sua família com aquilo que é retirado dos mares e eventualmente dos mangues. Não estudou muita coisa, mas não tem dúvida ao ver os olhos de seus cinco filhos de que a comida tem ficado escassa por aquelas bandas. O número de peixes tem diminuído demais e o de pescadores não. Quando seus ancestrais se fixaram por ali, àquela terra era chamada na língua dos índios de “mãe”, mas também poderia ser conhecida como “paraíso”. Todas as noites ele e sua esposa rezavam para o Senhor dos senhores, para que ele iluminasse as pessoas daquela região e a regasse novamente a terra.

Certo dia voltando do mar, descontente por conta de uma péssima pesca, foi catar alguns caranguejos. Uma hora depois, com apenas três pequenos crustáceos, ao partir para a feira, subitamente uma estranha luz azul resplandeceu da lama e ali enfiando sua mão retirou um enorme caranguejo. Nunca havia visto um daquele tamanho. Retornou do mercado, mas decidiu não vender aquele estranho animal para mostrar a sua família. Soltou-o no quintal e algo incrível aconteceu, pois aquele bicho andava para frente e para trás. Acreditou ser um sinal de deus.

E estava certo.

Confiou ser um período de esperança.

E estava inteiramente enganado.

Nos cinco dias seguintes nada pescou ou catou do mangue. E não apenas ele, mas praticamente a maioria dos seus amigos. Na rede, apenas lixo. A situação se agravou pela enfermidade de sua esposa. Não teve outro jeito senão vender o caranguejo especial. Procurou um senhor bigodudo, dono de um restaurante chique no centro da cidade e comprador dos melhores frutos do mar, o qual dá um irrisório valor de centavos por bicho. Argumentou com o dono do restaurante, que o animal em questão merecia um valor melhor por ser bastante especial. O sujeito sequer deu bola para o fato daquela coisa não andar apenas para o lado. Pagou algumas notas por ele. Bernardo saiu imediatamente dali e subitamente uma dor se apoderou de seu peito, chorou e quis voltar para buscar o caranguejo… Tardou demais e resolveu seguir para a farmácia e comprar o remédio de sua amada. Ela ficou bem melhor.

No luxuoso estabelecimento, antes de os caranguejos irem para o aquário, os donos junto ao cozinheiro chefe vistoriavam todos os bichos em busca de falhas e lhes colocavam pequenos rótulos. A partir desse ponto, o preço deles subia em aproximadamente 200% no mercado. Apenas uma criança desconfiada percebeu no aquário o grande caranguejo se locomover para frente do espelho. Seus olhares se encontraram numa telepatia. Ninguém soube o que ocorreu.

Alguns instantes depois uma família rica destroçou-o junto a outros crustáceos ao molho de camarão, bebericando refrigerantes. Sucos gástricos e fortes dores insurgiram em todos no dia seguinte. Nunca mais voltaram àquele restaurante. O menino telepata ficou calado por três dias seguidos e diante de um psicólogo ao qual fora levado com emergência pelos pais preocupados, conseguiu balbuciar algumas palavras:

— Estamos todos condenados.



Esse conto faz parte do livro “Prisão Amarela” pela Editora Multifoco que será lançado em breve.

Thiago Mendes 

domingo, 8 de outubro de 2017

Poesia Cotidiana



Poesia surge no silêncio.
No momento do ônibus.
Na espera da fila do banco.
A poesia insurge no suor
das memórias arquivadas
Dos narizes sangrando.
A poesia inculta uma tela.
Uma nova realidade.
Uma outra perspectiva.
A poesia luta pela vida.
No respirar dos esquecidos.
No levantar dos acamados.
A poesia rufa tambores,
dança com os pés da deusas,
samba com as meias das baianas,
curte um tango com o deus da morte,
&
vislumbra e sucumba com os seus momentos.
Assim no momento que tu lê.
Assim no momento que tu vê.
Assim no momento que tu crê.
Assim no momento que afirma.
A poesia é a pedra no meio do caminho.
No meio do caminho há poesia.


Thiago Mendes

domingo, 10 de setembro de 2017

Beta





Tideland (Internet)






(((( Aquele pessoal do outro lado do vidro é gente estranha.
Pareciam sempre ocupados em algum tipo de frenesi consumista.
Sempre enchendo a casa com novos acessórios supérfluos.
Com certeza nossa existência naquele cômodo se devia a esse fato.
Embora meu tio morresse dois dias atrás vítima de um dos pequenos
habitantes. Esses com mania de nos pegar e ver se vivia fora d’agua.
Morria sempre.
Creio que entre vocês os mais velhos são os piores.
Apenas isso explica porque aquele senhor calvo sem dentes sempre
batia no vidro com sua bengala.
Eis um dia o recipiente quebrou.
O resto é um brilho verde.
Carpete.
E um risada sofrível dentro de um copo))))













Thiago Mendes


domingo, 30 de julho de 2017

Persona III




Eu gosto de Oscar Wilde.
Eu gosto tanto dele que fiz essa merda.
Lembrem se que sou professor de literatura juvenil.
E pego pesado com os fedelhos.
Tudo começou com ela.
Que fez meu corpo tremer desde o início.
Acostumado com o banheiro de minha mãe.
Desculpe o que eu disse?
Mas ela nem quis me ouvir.
E veio a desgraça.
Longe dali uma linda sereia avistei.
E logo o camarão veio amargo na boca.
E percebi que nada valia à pena.
Perdi a pena da vida naquele dia.
Mas ai-surtei mais doido.
Acreditando que todo mundo louco.
Era o melhor mundo.
E curti uma vida adoidada.
Cheia de álcool.
Sexo & drogas.
Mas veio-ela.
Esperta como diabo.
Arisca-feito raposa.
Sexual como uma rainha.
Aranha serpente que roubou meu coração.
E fomos viver juntos.
Ajuntados.
Contas.
Enamorados.
Camas.
Casados.
Quartos.
Briguentos.
Banheiros.
E expulsamos nosso amor aos pontapés.
Foi quando lembrei-dos-filhos-das-putas.
E de Oscar Wilde.
E matei aquilo que mais amava.
Aperte — — -os — — -cintos e senti o vazio da minha mão.
Espatifei a caminho entre o socorro e a solidão.

Thiago Mendes

sábado, 22 de julho de 2017

Persona II

Os Embaixadores Holbein




Acordei com o inferno na barriga, uma briga entre alguns demônios pra resolver quem faria mais barulho na periferia ...

Busquei a mama sopa e nada.

Agora alguns copos de café e os demônios já são titulares, pseudo-intelectuais. ... Jogando fumaça para e esperando uma francesa passa r.
Uma briga entre quem é o melhor filósofo e eu esforço em particular para acabar com isso.

Privação de dor porque o odor é insuportável.

A francesa de saia caminha, o perfume é caro, mas não é meu apenas voyeur baby.
O sufoco quase sofro meu corpo com o doce desejo ardente pimenta quente escorre com mel de abelhas. A paz reina no albergue e as candidaturas são um acordo de unirem forces para vencê-lo.
A francesa de longe me observa e observo minha língua suja de líquido, cor de merda.

Vomito
Vomito
Vômito

Refresco meu corpo com leite quente e nem tente me dizer que minha vida anda confusa francesa de merda Francesca mulher crediário que manda e desmanda e comanda minhas contas.
Mas não minhas bocas
E como.
Porque é bom
Feito um bombom
E cuspo
Porque é sujo
Tipo impuro.

Mas o que me importa vinte mil vacas chorando sem pasto com suas tetas chupadas.
Os patos inchados de tantos raros foi grés.
Os sapos costurados e transmutados em delicatessen exuberantes de brujos e cozinheiros zen contemporâneos.
Como minhocas espremidas em quilos de burguers e copos de açúcar preto e potatos gordurosos batatosos recheados de molhos quiméricos das falanges infernais.

E os brindes!

Intrincadamente feitos e encaixados em zonas de exploração e pagamentos por centavos e vendidos por zilhões.
Enquanto transfiro parte do meu estomaco e figaço para a lixeira e deposito meu esgoto dentro de qualquer parquinho de infância.

Crianças!

Não é permitido deixar-se distraído por seu sexo distante anjo moreno luxo de Paris que me domina e comanda e anda por detrás de meus dejetos beliscando meu braço e sugerindo um pesadelo.

Nova Ordem Mundial.
Nova Ordem do Google.
Nova ordem.

Peço que vocês deixem-me com minha ignorância benção dos deuses seus diabinhos diabruras e canduras e Honduras pagam quase nada por seus ossos de guerra luxo para poucos; Comida falta a muitos eu quero é bis.
Bisbilhoteiro.
Tiroteiro.
Na rua avenida praça urbana ciruela de bando de mendigos correorum como luzes dos bancos de dinheiro fiat, mas uma bala de verdade e fere e dói e choro por que papai não voltou.

E meu rim esquerdo parou.

Hordas de malandros espremendo músculos e roubando ósculos vaginais das moças putas casadas maltratadas pelo desejo de sexo todo dia.
Expulsando os demônios dos corpos curtidores estranhos dos sujeitos todo o tipo de anonimato com manias excêntricas todo dia.
Confundido poder com patrão / padrão tipo bebador amargado de sangue de cassetetes / cacetadas com manchas de sangue todo dia.
Tira nos insanos vesanos sem sabor saboreie o mar, mas não pode esperar.

Espera sim.

Cartão sem débito conta fechada morte anunciada dor no parto parindo os dentes e os entes perdidos entre páginas de um caduco livro relógio cuco jogo para compro depois.

Pois o meu fim atrasou;

Thiago Mendes

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Crítica: Eis os Delírios do Mundo Conectado (2016)






“A realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, não desaparece”.Philip K. Dick




Neste documentário do diretor alemão Werner Herzog , somos colocados diante da questão da internet e como ela afeta nossas vidas. O filme é divido em capítulos que vão destacando o inicio da criação da internet pelos pioneiros da época, e de que forma seu crescimento atingiu a todos os seres humanos. Herzog destaca uma aura sagrada no nascimento da internet e também que mesmo entre os criadores dela existe visões destoantes.

A internet tem facilitado a vida das pessoas de enormes formas e jeitos. Perpassando pela ciência, tecnologia e diminuição das fronteiras entre as pessoas. Ela permeia tudo e todos. No filme, vemos, por exemplo, a importância de um jogo online para a resolução de problemas científicos.

O jogo citado no documentário é Eterna e você pode dar uma conferida nele aqui.

Mas, se por um lado temos os vários benefícios da internet, Herzog também nos mostra o seu dark side e é nessa parte que seu talento e humanismo sobressaem ainda mais.

Uma família que teve a foto de sua filha morta exposta na web — casos como esse são cada dia mais rotineiros — quase um paralelo ao filme Nightcrawler. Viciados em jogos que precisam recomeçar do zero suas vidas, pois já não conseguem mais distinguir o real e o virtual a ponto de esquecerem completamente suas necessidades mais básicas e pessoas que por causa da radiação de celulares são providas de suas vidas e, literalmente, presas em gaiolas. Para saber mais sobre essa condição clique aqui.

Também temos o movimento hacker, onde há uma entrevista divertida com o famoso Kevin Mitnick — não é mero acaso se te lembrar de Mr. Robot — e prosseguindo em segurança nacional e guerras cibernéticas. A internet é segura? Estamos seguros?

Viagens a outros planetas, inteligência artificial e visões apocalípticas compõe uma parte do filme. Werner Herzog, um diretor tanto de documentários como de filmes de ficção mapeia todos os possíveis significados e significantes dessa coisa da qual parece que não podemos nos livrar e coloca uma pergunta no ar interessante: será que a internet sonha consigo mesma?


Werner Herzog




Herzog destila humor, belas cenas, humanismo e sua qualidade em aproximar um mundo aparentemente distantes. Pontuando as questões e mostrando a beleza do ser humano nesse emaranhando de conexões que é nossa vida atual — ou seria virtual?

Thiago Mendes

quarta-feira, 8 de março de 2017

Aioeu






Meu primeiro amigo 
foi eu mesmo.
Escondido escuro e tranquilo. 
Subterrâneo dos meus pensamentos.
Emergindo; 
Emergências;
Solitárias
dos anos passados.
Ainda hoje, 
se comunicando por sinais e símbolos.
Cômodos vazios.

Incômodos vizinhos.
Meu amigo.

Eu amigo.



Thiago Mendes

domingo, 4 de dezembro de 2016

Samba





Somos as escolas de samba passeando na avenida da vida.

Alguns tem luxo.

Outros não.

Nem por isso são lixo.

Todos com um enredo.

Uma história.

E de historias em historias nós fazemos arte.

Nosso estandarte é bordado com amor.

Ritmo no coração 

e humor no pé.

Abre alas que nós estamos dançando.

Rindo pelos cotovelos.

Nosso animal espiritual.

Canta encanta sonha & samba.

Girando nessa ciranda mágica.

Ouçam seus corpos.

Liberem as mentes.

Nossa música está tocando na sua esquina.

batendo em sua porta.



É hora da alegria!





Thiago Mendes

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Hipopótamo #13


As outras pegadas você encontra aqui









05:49



Não pensem que diante de luzes, musicas repetidas, gente bonita, big brother, panis et circense, cores, paz e muito sexo. A felicidade reduzida a doces, balas, o êxtase do prazer, o ecstasy da vida. Sim, caros amigos. Também passei pelas pílulas coloridas detentoras da verdade, marcas, nike, volks, super, smile...Estilo nunca faltou aos jovens. Se acaso com desdém aparento é por razão típica.

Um jovem do meu porte, patrocínio da libido e das batatas gordurosas. Ficar horas batendo o pé sempre pareceu montanha-russa.

Odeio esse brinquedo.

Não nego por virtude que durante a curta participação nesse meio, exatamente duas festas.

A festa da paz e amor;

Que acabou com a polícia invadindo o local, uma fazenda distante o bastante para enforcar alguém. Contudo o problema não vinha da KKK, mas sim de uma jovem intoxicada sendo estuprada por três moleques, e alguns casais trepando numa piscina. Na qual fiquei dançando meia hora até notar que o pessoal sumiu e que estava completamente molhado, mas sem nenhuma vadia chupando-me. Encontrei uns seguranças poucos profissionais, com a mesma idade. Jovens que pagavam sua faculdade ou vícios através da porrada em outros jovens, pequenos furtos, tudo em nome da ordem. Ofereceram-me um pouco de erva, aceitei, em seguida apaguei. Ao acordar noto a falta da carteira.

Alegria eletrônica;

Encontrava-me sozinho e dopado, como sempre!

Bicicletas, especiais, placebos?

Apesar do movimento constante das luzes, do pirulito na boca, passei a maior parte do tempo vomitando nos cantos ou nos sugestivos banheiros públicos. Sem esquecer o "eu te amo" como se fosse bom dia vindo de qualquer desconhecido como hippies do futuro, alguns pareciam vindos do passado mesmo. Assim terminaria minha presença na nova boate do século moderno. Lembrei da Sound e sua heroína, da Bunker e sua tequila. Tudo bem a turma não gostava desse meio artificial, mesmo que no fundo apenas sejam os loucos espelhos refletindo a nós mesmo. A nossa geração consumista. Que seja nunca gostei dos hippies, talvez das suas drogas!



02:27



Diante de um livro onde a personagem principal está cheio de obsessões não resolvidas por drogas, terapeuta, grupo, choques. Aceita o desafio improvável de ir para a Índia meditar num templo que oferece como comercial acabar com todos seus problemas, ao menos os piores.

Meditação?

Será que necessito disto para esquecer K da minha cabeça e da cueca?

Afinal por que aquilo naquela noite, visto que houve outras em que estávamos sozinhos e chapados.

Penso nisso enquanto aperto um baseado e noto surpreendentemente a falta de tranquilidade, ansiedade que me encontro.

Nunca a meditar algo.

O todo da sua beleza.

AMPHTA, ON, RA.

Shala goooooo, sei lá.

Meditação na concepção é apenas alcançada com uma boa masturbação e olha que o banheiro tem bastantes lutas num dia, e tenho dito.

Uma frase ecoa na cabeça;

Platão já dizia o amor está em quem ama e não em quem é amado.



16:08



Desperto no meio de um suposto vazio campo. Suponho ver amigos e areia entre um piscar e outro dos olhos.

_ Se acaso tudo gira, em que circulo estamos hipopótamo?

Ele sorri dando voltas e levantando muita poeira das estrelas. As bocas dos conhecidos reclamam do fim do mundo anunciado pelo mapa astral, ou pelo limite encontrado dele, deixe com Deus os números na cabeça cansam demais.

"Não fomos criados para sermos máquinas de calcular."

Aceita sua vida?

_ Devo aceitá-la, fitando o animal?

Sim, ab aeterno.

"Não somos cálculos renais"

_ Tu não acha que anda lendo Niet demais? Quer ser meu Zaratustra?

E subo no seu colo.

"Os animais são seres ou propriedades?"

_Vai levar-me para ver o passado, presente e futuro como Brás?

Não tolo, tu és muito pesado, levo-o ao presente!

"Somos animais ou máquinas?"

Acordo no trem em meio a gemidos de Sexmachine com um provável sonho erótico. Um barulho, apito, anuncia a chegada do destino.

Será o fim ou o começo?

Não consigo escutar o hipo que livre corre na paisagem.

Não é uma propriedade!

Não é uma máquina!

Quer ser livre!

Malditas janelas!






quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Debate sobre a violência contra as Mulheres








No dia 25/11, Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres, acontecerá um Debate de Mulheres - Contra a violência, contra o machismo #NIUNAMENOS, na UFF.

O debate contará com a presença de Mônica Schlotthauer, dirigente ferroviária e deputada estadual de Buenos Aires pelo Izquierda Socialista e da Frente de Esquerda dos Trabalhadores e Talíria Petrone, vereadora eleita pelo PSOL-RJ e candidata mais votada em Niterói e discutirá o importante papel das mulheres na luta e na sociedade.



Dia 25/11 às 10h, no 4º andar - Auditório da Escola de Serviço Social - Campus Gragoatá



sábado, 29 de outubro de 2016

Hipopótamo #11





Capitulo I



Na minha juventude meu avô vivia sempre a dizer que uma guerra servia para limpar restos/corpos das vitimas. Um crime como se referia o boxeador, e nunca daria honras a uma pessoa, imagina a um pombo.

Mas.


A primeira guerra mundial desencadeada pela morte de um príncipe, relatos nas letras postas nos livros, e durante três anos os aliados, os bons ou como vovô preferia:


_ O nosso lado!


Que perdia de vento em poupa, eis que numa inédita decisão o vento bateu asas, as nossas, e fomos convocados para a guerra, os chamados:


Pombos correios.


Que durante o espetáculo sangrento tentavam as turras consertarem a perda das comunicações, graças a nós, elas voltaram ao normal, pelo menos ao de uma batalha.


Carnificina foi ver quantos pombos perderam as asas ou pior suas vidas por causa de um pequeno nome. Graças a uma fofoca que encerrou a guerra dando a vitória aos aliados. Campo cheio de dejetos, nada de batatas.


Aos vencidos: mortos...


Ao meu jovem avô sobrevivente que conseguira entregar a ultima e mais importante noticia.Seus amigos mortos.


Ao vencedor: uma medalha de honra ao mérito.A fofoca circulava contendo o intimo segredo dos inimigos.Ao perdedor: sujas roupas de baixo.


Durante o tempo de recesso vovô pode construir uma família. O dinheiro trouxe ao seu filho conforto, meu futuro papai.Viviam bem para pombos. Avô tenente do ar.


Mais...


19:00


Do cemitério ao casamento foi tudo tão rápido que quase não consigo ar ao descrever os atos. Os fatos expostos são que casei com a vizinha depois de nossa transa/imaginação. Uma única noite de sexo arrematada com uma ligação para o resto das nossas vidas (assim pensei triste) rotineiras. Obrigação desenvolvida pela boca dos crentes, irmãos, vizinhos enxeridos, família reunida... Merecia o flagelo por possuí-la?


Em que maldita trama havia caído?


Ganhei a benção da igreja, dinheiro, roupas, padrinhos parasitas, madrinhas safadas com seus corpos mofados.


Encontrei o garoto de cabelo vermelho numa festa, formatura da faculdade que perdera há muito.


Entre mortes e sumiços, catequese e índios deu-me a chave da liberdade.


_ Viúva, logo não pode casar de novo.


Agradeci a seu conselho, ele despediu-se com passagem comprada para Holanda junto a sua namorada;


Valentina.


Não era a mesma garota dos lindos lábios.


Cuspi nos meus irmãos tudo, casada, viúva, luto, ia contra nossa igreja, deus castigaria, o diabo sorria.Atônitos eles foram conversar com ela.


Alguns dias depois já estava casado com aquela mulher que se vestia como a bruxa do 71.


Nunca foi casada. O suposto marido fora inventado pela mãe dela para que a filha não tivesse relações com o diabo do homem.Sua mãe era de uma versão ortodoxa das nossas assembleias que foi extinta com os direitos das mulheres alcançados.


Uma geração unida:Sufragistas;Prostitutas;Donas de casas;Religiosas;Assistentes de escritório;Prostitutas;


Com o aumento de salário, camisinha, liberdade, aborto, nenhuma delas arranjou tempo para continuar o ensinamento da igreja da Eva pecadora.


Os ensinamentos pregam que Eva traiu a confiança de deus por que Adão não conseguia mais dar prazer a uma mulher e insistia em passar tempo demais com alguns animais.


O pecado original consistia numa mulher tendo prazer sem parceiro, ou alguém dúvida da imagem da cobra;


Um grande falo;Um consolo;Uma expulsão.Meninas ardentes de sexo reprimidas;


Uma delas, ao todo sobrou apenas vinte mulheres, a vossa esposa.Alguns sussurravam no meu ouvido que fizera a escolha certa. Isso não é bem uma escolha, fui escoltado para o altar!


_Apenas no caso de você desistir querido filho


Roxana reaparecia na trama ao lado de uma destruída Isabel aceitando a igreja e afirmando que o casamento pela primeira vez seria uma decisão certa, refleti que nem um gole de cerva tomara.Tudo ia sendo jogado no meu colo, carecia de vontade própria e aos poucos sentei nas cadeiras do trem, vagão dois, mais barato e assistia ao desenrolar daquela viagem sem a menor curiosidade. Assustado ficara sempre quando noto que não sei o destino dos trilhos, ainda.


E o hipopótamo corria rindo pelo caminho, meus pensamentos ficaram novamente em frangalhos ao notar que karol não aparecera no casório. Festinha onde me encontrava completamente sozinho, como no vagão olhando pela janela pressentindo que as coisas ficariam piores, e pioraram.


Check-up


Na habitual visita ao medico escutei de sua boca preenchida por dentes brancos.


_ Seu coração anda meio abatido;


-Lógico. Casei-me com uma estranha mulher com bizarros costumes religiosos/sexuais-


_você precisa procurar fazer mais exercícios;


-Ela não chupa doutor; nada de sexo oral -


_ Evite um pouco a gordura;


-Sei que sou gordo, mas tenho evitado os fast food -


_ Vista avermelhada.Hummm


Anda chorando?


Conjuntivite?-Chapado -


_ Foram notícias preocupantes, Alexandre?


Certamente, o coração não suporta as surpresas, sinto ainda amar uma mulher, que além de odiar-me. Parece que jamais a verei de novo.


_Como assim rapaz? Não sou psicólogo se vira!


-Nada de exame de próstata seu merda -


_Anda usando drogas?


Olha doutor você tem algum animal querendo sair do banheiro, tipo um hipo... Ele nem deixou completar a frase;


_Procure ajuda viciado;


Faz tempo que não fumava, dei apenas um tapinha;


O mesmo que levara da secretaria de saia curta e braços longos. Sai do hospital pronto para ser executado pelos ansiosos monkeys espaciais na saída.


Sim, porteiro. Fumei um pouco e comi um pedacinho do cogumelo, contudo possuo colírio e não fiquei gigante nem pequeno, todos ainda notam-me.


O homem parado na frente


Roberto.


Papai.


Hummm.


Percebi algo de estranho nesse senhor que gritava comigo e ai notei sua boca gritar por outra pessoa;


Como assim porteiro gay?


_ Sua mãe foi atropelada!!!


Stop.


Como?!


_ Encontra-se numa UTI e meu filho a situação é gravíssima.


Nunca sei o que ocorreu após a notícia, desmaiei pelo efeito da psilocibina ou adrenalina, meu coração anda fraco.


Odeio notícia surpresa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Mostra de filmes de animação chega à Niterói









Durante quatro dias Niterói será a capital da animação com a “AnimaNit – Mostra de Animação de Niterói”. Entre os dias 14 e 17 a cidade vai receber o melhor da animação nacional e internacional no auditório do Caminho Niemeyer, no centro da cidade. E o melhor de tudo, com entrada gratuita.



A abertura no dia 14, quarta-feira, às 18h, será com o documentário “Luz , Anima , Ação de Eduardo Calvet (de 2013)", que estará presente para um bate-papo com o público. O filme faz uma trajetória da animação brasileira desde o pioneiro “O Kaiser”, de Álvaro Marins (lançado em 1917) até o recente “Rio” (2011), de Carlos Saldanha, fazendo um mapeamento em quase um século de produções animadas. “Luz, Anima, Ação” conta com depoimentos de personalidades desta área, como Maurício de Souza, Otto Guerra e Chico Liberato. Exibido no Anima Mundi 2013 e no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy 2014.







No dia 16 (sexta-feira), às 13h30, a sessão “Anima Educação/FME” trará animações feitas por professores e estudantes das escolas municipais de Niterói que participaram de cursos promovidos pela Assessoria de Mídias e Novas Tecnologias/FME e pelo Anima Escola. Uma oficina de animação (Stop Motion), promovida pela equipe da Assessoria de Mídias e Novas Tecnologias/FME, será oferecida ao público também no dia 16 (sexta-feira), das 14h30 às 17h30, em sala do Caminho Niemeyer. A inscrição pode ser feita por formulário no link: https://goo.gl/forms/15FIb6CDVudpYkzi1 e será por ordem de inscrição.



Mais informações na página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/MostraAnimaNit



E confirme a sua presença no evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1755534408019226



Serviço:

AnimaNit – Mostra de Animação de Niterói

Local: Auditório do Caminho Niemeyer e Cúpula do Caminho Niemeyer (sessão “Videoclips de Animação”) – Rua Jornalista (atrás do Terminal Rodoviário)

Data: entre 14 e 17 de setembro

Horário: variados

Entrada gratuita

Estacionamento gratuito no local

Censura: Livre para as sessões Curtas Infantis e Homenagem a Winsor McCay e 12 anos para as demais sessões

Produção: Núcleo de Produção Digital de Niterói (NPD)/ Subsecretaria de Ciência e Tecnologia/Fundação Municipal de Educação (FME)

Apoio: Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro

Parceria: Assessoria de Mídias e Novas Tecnologias/FME

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Sonhando com elas




“Vou me libertarDo tempo dos homensSó vou te encontrarEnquanto eles dormem.”

Boogarins — Tempo






Não assisti ao recente jogo das meninas do futebol brasileiro nessas Olimpíadas e posso admitir que sequer tenho visto alguma coisa dessa competição. Contudo lá estávamos.

A tela. A bola.

Sono. Tonto . Sonho.

Sonhei que elas ganhavam o ouro e os homens uma lição.

Essa medalha iluminava a luta delas.

Feministas, mulheres, Elas;

Dentro de um esporte decididamente machista.

que zomba sempre quando pode das árbitras;

das bandeirinhas;

Recordam das Martas apenas quando elas fazem gol;

Ganham prêmios;

As mulheres já despertaram;

Espero que haja tempo para os homens.





Thiago Mendes

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Peregrino




“Essas pessoas — assim como o resto de nós — devem estar conscientes
de que, enquanto durar a peregrinação, as condições de viagem
tenderão a permanecer muto semelhantes às atuais: caracterizadas
pela incurável fragilidade das posições sociais e fontes de
subsistência, pela sensibilidade irritadiça dos vínculos inter-humanos,
pela mutabilidade camaleônica dos valores ambicionados e dos assuntos
recomendados pela opinião pública como dignos de atenção e esforço.
Como se tudo em volta conspirasse para tornar difícil e desconcertante
a vida dos devotados peregrinos, e para puni-los por sua
obstinação e lealdade à decisão um dia tomada.”

Arte da Vida — Zygmunt Bauman

https://morguefile.com/search/morguefile/5/road/pop


Às vezes nos sentimos conectados ao mundo.
Um sentimento de verdade. 
nada de razão, 
mas sentimentos.
Fitando às arvores e as pessoas.
Passeando numa avenida,
quase iluminada!
Sublime experiência da vida;
que te sopra como um vento de mudança.
As coincidências. 
Os encaixes.
As risadas.
As vezes somos como peregrinos largados nesse campo de batalha.
Divididos entre a alegria do ser
e a tristeza do perecer.
Despojos famintos fantasmas pesadelos.
O estranhamento daquele olhar pela janela.




E ainda assim. “Às vezes” Caminhamos. Despertos por minutos em busca de nossa pérola.


Thiago Mendes

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

"Paratodos"







Em clima de Olimpíadas e Paraolimpíadas o cineclube Cine Nikiti exibe neste mês de agosto o documentário “Paratodos”, de Marcelo Mesquita. Ele será apresentado no dia 17 de agosto, quarta-feira, às 19h, no Solar do Jambeiro, com entrada gratuita.



“Paratodos” mergulha no cotidiano de alguns dos principais atletas paralímpicos brasileiros. A trajetória, a vida e os desafios de alguns atletas paralímpicos, que fazem parte das delegações brasileiras de natação, atletismo, canoagem e futebol, em fase de preparação para os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.



O NPD concederá certificado de horas de atividade complementar para os estudantes que comparecerem ao evento.



Cine Nikiti é um cineclube resultado da parceria do Núcleo de Produção Digital de Niterói (NPD)/Subsecretaria de Ciência e Tecnologia com a Niterói Filmes e o Solar do Jambeiro.


 Site oficial do filme


 Trailer do filme


 Pagina do evento no Facebook


 Cine Nikiti no Facebook



O Solar do Jambeiro fica na Rua Presidente Domiciano, 195, Ingá, Niterói. Telefone: 2109-2222.

sábado, 6 de agosto de 2016

placebos #1









Esse Rafael Portugal é muito engraçado mesmo sempre que vejo esse episodio tenho em mente uma cena do filme Laranja Mecânica quando Alex volta para casa depois do tratamento e descobre que tem uma pessoa morando com seus pais.








Simplesmente a nova onda entre idas e vindas é esse tal de Pokemon sinceramente eu prefiro esse:






Thiago Mendes

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Hipopótamo # 10






17:00



Com a ajuda de Jonas entrei rapidamente na família da comunidade. Larguei a hibernação do corpo e fui atrás da salvação da alma.

Todos me aceitavam e logo uma sensação feliz percorria meu ego. Nenhum deles reclamava das merdas que fizera durante toda passada vida. Experiência que preenchia um manual.

Amém!

Os pastores me usavam;

Não!

Instruíram-me para iluminar os caminhos dos drogados, suicidas, seres imprestáveis, excluídos pelas outras instituições.

Não para nós.

Somos uma grande família e você pode fazer parte.

Logo o dízimo soava razoável.

O fogo do inferno soprava insuportável.

Através de uma lavagem.

Não!

Limpeza espiritual para afastar espíritos malignos da mente.

Questionado;

_ Por ventura estaria vendo algo?

_Nada vi senhor.

Enquanto um hipopótamo desfilava pelo caro tapete vermelho posto ali no dia que um deputado apareceria.

- Tô odiando as aparições desse bicho -

Como Jesus largado na cruz pelo seu pai, pagando pelos crimes dos seus irmãos.

Igual com mamãe.

_ Cruzes você está louco meu filho?

Os esquecidos amigos!

Meus irmãos falavam que este tipo de atitude ocorria normalmente com os descrentes e logo ela veria a maravilhosa transformação da qual seu filho alcançara. Estar salvo, menos mal.

Meu papel na igreja estava bem esclarecido e acredite que aquele gordinho conversando com alguns jovens escolhidos unicamente pelo modo como se vestiam, é este que vós fala.

Sorrindo batia papo com essas meninas de cabelos coloridos com seus incríveis decotes.

_ Saia dessa vida menina!

Suas minissaias;

_ O mal espreita sempre!

Suas colegas rindo;

_ Muitos amigos são apenas uma má influência!

Elas ficavam mostrando os dentes rindo alto;

Eu baixinho.




18:00



Digo-vos descrentes que vi uma luz no fim do túnel. Mais ainda, no fundo do meu copo alcoólico. Lá, onde apenas existia o capeta com seus chifres 500 canais e sorriso dono de bar aceitamos fiado. Rindo das nossas dores de parto, fígado, cabeça, dentes... Meu senhor como é caro um bom dentista hoje em dia. Vossas televisões manchando a mente de sangue. Colocando suas filhas no caminho das messalinas, atrizes, minissaias, anticoncepcionais, decepciona ver uma criança carregando em vez de uma boneca, outra criança. Milhares de programas esvaziando qualquer oficina, o diabo agradece.

Os garotos sonhando com uma bola, cheirando uma cola, chupando uma rola, isso é algo normal pergunto a vocês?

O demônio espreita os caminhos fáceis, os mesmos que seus filhos logo seguirão. Jovens, por que sempre procuram facilidade, nesta idade.

Cartão de crédito sem limites;

Comidas de plástico;

Favores sexuais;

Amores artificiais;

Rejeitam todos aqueles que não se encaixam nos seus padrões de beleza e conduta.

Gordos;

Estranhos;

Deficientes;

Jovens;

Negros;

Excluídos;

Não somos todos legos;

Não seremos os brinquedos do diabo;

Não queremos ser postos de lado como cão velho pronto para o abate.

Contudo temos o sacrifício do filho;

O nosso pai celestial que não exclui ninguém;

Nem mesmo os necrófagos

&

Os padres pedófilos católicos romanos apóstolos;

Os ricos pastores das assembleias mercantis protestantes Deputados.

E com certeza não devemos esquecer-nos dos inocentes índios;

Eles não sabem de nada;

São uns bobos;

Perdoai a todos;

Amém.




Descanse em paz




_ Viu alguma coisa?

_ Não senhor.

_ Ele estava envolvido com drogas ou qualquer coisa do gênero?

_ Que eu saiba não!

_ Mulheres? Traição?

_ Não!

_ Alguma causa especial?

Os motivos podem parecer um pouco obscuros pelo atentado num dia qualquer da semana. O impressionante número de facadas cravadas no peito. A polícia em vão se esmiuçou em busca de algo.

Barbárie; estava escrito nos jornais deles;

Os nossos paper/news iam de salvo para alvo como político na câmara.

Assalto?

Vingança?

Todavia o pessoal não soube se tratar de uma dívida com o trafico.

Jonas livrou-se dos vícios diabólicos, encontrou a calma no espírito, podia ter casado com uma linda mulher, todavia perdera crédito há muito tempo com o alto comando de um morro/familiar.

Alguém precisava pagar.

Seu débito podia comprar vários terrenos no paraíso.

O movimento sem terra exigia uma participação nessas áreas para plantio e sustentação das famílias.

Afinal eram terras improdutivas.

Produção em massa de coca, o mais querido de Jonas.

Fanático burro, pois estando na igreja e com o olhar de deus creu que nada podia acontecer.

Dois moleques desceram a favela para cobrar-lhe o negado;

Culto do Pastor da gloria, pessoas levantando as mãos para o alto, e Jonas esfaqueado umas treze vezes.

Fitei o garoto com a faca de cozinha, Brizola, o mesmo que passava a droga no Manu lanches.

O lance tinha ar de simplicidade:

Íamos ao bar, ficávamos sentados numa mesa.

Bebendo e cuspindo conversas fora.

O menino sentava ao nosso lado, bebia um pouco e ia ao banheiro.

Largava a encomenda atrás da lixeira.

Saía.

Enquanto um de nós entrava no mictório o outro (quase sempre Alberto) pagava a remessa.

Esquema planejado por Jonas.

Morto ao meu lado.

_ Havia algum envolvimento de Jonas com favelas próximas?

_ Não senhor delegado.

_ não vi nada.

Silêncio!

O mesmo que demonstro agora de frente ao caixão dele, numa sexta/chuva inundando minha face de lágrimas. Irritado por que Karol e Alberto não apareceram. Família sumiu do mapa, do papel.

Isabel entrando em pânico, gritando sobre a maldição. Sendo contidas por amigos.

Atada a falsos mitos.

Precisando de remédios para dormir numa casa sozinha.

Viciada neles como o filho fora por cocaína.

Apontando-me o dedo, dizendo palavras duras.

_A culpa é sua!

_Você sofrerá da maldição também!

_Será o próximo!

A única pessoa que me oferece abrigo em seu ombro é nada menos que a vizinha gostosa/religiosa.

Abraços.

Acompanha-me ao prédio, diz coisas que aquecem o coração da pequena chuva batendo nos guardas.

Escadas.

Ao subir retribuo o carinho com palavras ao pé do ouvido, esquentam qualquer mulher entre as pernas.

Viúva.

Empurra-me pela porta de sua casa até o quarto recheio da boca com gosto de hortelã dela.

Aranha.

Grita de medo, mata essa porra, desliga a luz.

Imaginação.

Eis o modo como arranjei para transar com aquela mulher no escuro.

Acordo sozinho.

Reparo no banheiro com a porta entreaberta.

Apaga e abre.

O eterno retorno do jogo da vida.

Das nossas vidas desvinculadas.

Descanse em paz Jonas.


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Guerreiros e pequenos tiranos


“Para converter-se em um sábio é necessário transitar pelo caminho do guerreiro. Um guerreiro não é alguém que vai à guerra matar pessoas e sim aquele que demonstra integridade em todas as suas ações e um controle sobre sua própria pessoa. Um guerreiro vive cada momento de sua vida, sem orientar-se pela complacência ou pelo lamento, sem ganhar ou perder, está sempre alerta e lúcido a tudo que o rodeia. Age com abandono de si mesmo de maneira impecável.

A impecabilidade do guerreiro evoca uma atitude interior, uma luz que se aproxima notavelmente da humildade e a aceitação de viver imerso na eternidade, transformando cada circunstância vital em um desafio vivo e sincero. Ninguém nasce guerreiro. O caminho continua até o final de nossas vidas.”


                                                                                             Carlos Castañeda.







Vivemos diariamente batalhas em nossas vidas, sejam elas por coisas simples, sejam elas pelo ato de respirar. Cada suor, sangue e lágrima conhecem o caminho da luta e reconhecem o peso da derrota. Somos refeitos pelas nossas perdas e é delas que vamos falar um pouco. 

 

Perder faz parte da vida – coisa que a gente tende a escutar demais – mas em suma é uma verdade intangível que afirma que vamos ser derrotados. Talvez pelas ações de outras pessoas ou em outras ocasiões por nós mesmo. Contudo perder é também aprender e para isso devemos afinar nossos espíritos como guerreiros. Se a morte é inevitável como a sensação de se sentir derrotado podemos retirar disso a essência para continuar a vida. 

 

Resumindo de forma mais simples diria que quando perdemos, podemos perder como guerreiros. Sem lamentações ou hesitações, sabendo que da mesma forma outro dia vai nascer amanhã. 

 

A diferença entre um guerreiro e um pequeno tirano não está em suas vitórias e sim em suas derrotas. Um guerreiro está preparado pra elas, sabe que uma vida sem elas não é possível e as aceita. Por outro lado, um pequeno tirano se alimenta de suas derrotas, entra em negatividade constante e acaba oprimindo a si próprio e aos seus próximos. 

 

Como foi bem visualizado na mitologia do filme Matrix se você não é um desperto acaba sendo um agente em potencial. 

 

 

 

Perca como guerreiro, não seja um pequeno tirano na sua vida e na dos outros.

 

 

Texto livremente baseado na obra de Castaneda

 

 Thiago Mendes