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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Hipopótamo #12


Pegada 1 Pegada 2 Pegada 3 Pegada 4 Pegada 5 Pegada 6

Pegada 7 Pegada 8 Pegada 9 Pegada 10 Pegada 11









Diante do ocorrido.

Por via das dúvidas, contendo um coração moribundo creio que seja melhor não deixar hesitações sobre certos eventos anunciados. Eis algumas respostas:

O homem encontrado junto da minha mãe no quarto dela fazendo amor. O mesmo decrépito senhor paralisado com a chegada do caixão. Choramingando no enterro, a reconhecida careca. Alex, possivelmente meu pai o progenitor de Alberto.

Irmãos!

Confusos?

Algum tempo mais tarde, Roberto contara que Alex e Roxana sempre foram namorados no colegial.

O trio;

Roxana, a vagabunda.

Alex, o riquinho.

Rolinho, veadinho.

Mamãe descobriu estar grávida e largou a faculdade de enfermagem.

Alex, terminando administração temeu alguma atitude da sua família.

Roberto. Terminou a faculdade de enfermagem e foi casar.

O pai de Alex nesta época não gostou nada de saber que seu filho seria pai de uma moça, pobre, cursando enfermagem com uma bolsa de estudos. Ameaçou desertar o filho. Roxana ouviu impávida do seu namorado;

Aborto!

Ela não quis aceitar e com a ajuda de Roberto registrou o filho fingindo ser um casal durante todos esses anos.

Rolinho ajudou, mas necessitava desse apoio em vista de que seus pais começaram a desconfiar do excêntrico pôster no quarto dele.

--------------Lawrence da Arábia----------------

Roxana e Alex casaram e trataram de esquecer o assunto.

Contudo nestes últimos dias a paixão retomou e os dois andavam encontrando-se. Uma possível união parecia possível.

Um carro, motorista bêbado. Socorro negado. Acabaram com o sonho recheado de amor. Alex abraçando o caixão foi quase ridículo para a maior parte dos presentes, porém o amor nunca é caricato como um senhor careca suando feito uma criança. E mais, mas ele não pode ser covarde com nosso pobre coração dono da tarefa de abrigá-lo com carinho e respeito. Foi isso que deve ter sentido Alex... Nunca mais o viria, perdia meus pais.

Isabel nesse meio tempo, internada para sempre, viciada em comprimidos, louca, esquecida no canto de algum escuro quarto.

Abandonada pelos seus irmãos abastados com o todo o dinheiro doado por anos. Provavelmente ruminando sobre uma maldição nos seus últimos dias.

Outra noticia chocante a mulher com quem casei. Religiosa sem nenhum apetite sexual consistia na mesma pessoa que escrevia que gozava a todo o momento pelo computador.

Minha esposa=Sexmachine.

A vadia do outro lado da máquina.

A mulher do outro lado da porta.

Confusos?

Por que estou!

Tudo revelado numa de nossas discussões acerca do porque sim e o porquê do não.

Sim, sexo.

Não, luz.

Não, boquete.

Não, cu.

Não podíamos continuar assim, e entre lágrimas ela admitiu que apenas conseguira ter prazer com um cara da Internet que conhecera num chat.

Um tal de fast/fat.

Pode rir!

Entrara sempre as 14:03. Na sala usando o nick sexmachine, esse sujeito escrevia coisas loucas, quentes e sexuais e ela conseguia ter orgasmos múltiplos. O problema é que fazia tempo que ela não entrava e quando conseguia nunca o encontrava online.

Nem pensei em lhe contar que o fast/fat desapareceu já que anda ocupado com trabalhos da igreja, enterrar duas pessoas queridas, redescobrir a vida, por pouco deixara de ser. Dúvida acaso arrebentar o rosto de Alex ou agradecê-lo.

Razão?

Por que diabos o devir? E agora pra ridicularizar mais, uma esposa que nada queria de sexo, nada teria com essa mulher, nada nesse mar peixinho, o tubarão na verdade queria ver você morto.

20:00

Depois desses últimos e atormentados acontecimentos meus irmãos da igreja concordaram que uma viagem, respirar novos ares seria o sossego ideal. Uma comitiva de evangélicos no interior do estado. A cidade nomeada por eles pelo seguinte motivo: o lugar estar infestado de espíritas. Nossa missão sagrada será convertê-los para o senhor, mesmo que a seguir os católicos catequizassem os índios crentes em crentes de vários santos. Por ora nada chateado ao saber que as férias consistiam neste ministério, nem aborrecido pela esposa ao lado, muito menos menosprezei o veículo usado, um trem. Fiquei por sinal contente ao saber do possível hotel quatro estrelas hospedagem de deus.

Despedidas, abraços, loucura, a única pessoa que falei, foi Roberto, meu pai, no fundo meu único e verdadeiro. A última vez que o veria novamente encontrava-se sentado num bar, ponto de encontro para gays. Uma cerveja cara, olhar perdido nas paredes pintadas de amarelo cheguei. Caminhando, tentei aproximar-me para uma conversa amigável. Contudo um jovem o abraçou e pegou uma cadeira. Ele sorri e concluo a felicidade dele, não poderia atrapalhar, nunca mais.

No caminho todo revejo a transa com K tentando em vão compreender. Por que a rejeição?

Por que o hipopótamo? Um Ciclope olha discretamente para a saia que o vento trata de levantar da esposa. Não sou um perigo afinal sou gordo, eis um problema, não conseguimos impor nada nessas situações e prefiro ficar fitando a janela. Torço para Sexmachine sofrer um baque cerebral e esquecer que casou comigo.

Crianças brincando, florestas, queimadas, lixo, esgoto, liberdade, preso numa jaula, nostalgia. Sim. Penso... Prefiro um bom pastel de carne e um cochilo.

As bocas.

Bigodes espetando nossas vidas, pernas à mostra, quem quer comprar? Olhares falando algo. Estou em outro lugar. Sonhando?

Perdido, situações, saudades dos amigos. Quero descer do trem e encontrá-los. Peço: cale a boca mulher, preciso dormir.

Preciso sonhar um pouco.

16:25

Acordo com uns gritos de gol vindo da rua aberta pela janela. Andei usando tantas coisas que acabei esquecendo a Copa do Mundo ou que Roxana chorava devido à morte do seu pai. Não partiu de velhice apenas, um câncer comeu toda sua vitalidade, como a gordura comigo. Partimos para um bar próximo para o jogo das canelas. Jonas parecia um outdoor ambulante da seleção, usou as cores em todos os jogos da seleção, pena por que foram poucos, visto que uma equipe europeia arrebentou com o sonho. Catequizou os índios, roubou nossos diamantes e ouro.

Malditos europeus! Karol sussurrava no meu ouvido que a droga tava ótima.

Ótimas estão suas pernas cruzadas. O time que venceu cruzava toda hora, comentou um irritante comentarista de tv. Alberto não mostrava alegria com este esporte, preferia mãos, cestas, basquete, NBA. Americanos conquistando todo o mundo, vendendo seu modo de vida, o império do mal.

Malditos americanos!

Esporte estúpido repetia Jonas eufórico pelo gol, o mesmo que possuía um jogador sensacional sempre refletia vovô Ademais. Não era Jordan.

Não recordo o nome, muito menos do rosto do vovô. Guardando sua arma da época para uma época de revolta, sem saber que o herói do jogo estava tão ultrapassado quanto sua revolução. As rebeliões são tratadas com muitas doses de calmantes, barbitúricos, Zepam, e somos ótimos nisso. Coma seu lanche e fique feliz ao saber que milhares estarão comendo o mesmo, no mesmo instante, com o preço tabelado;

Que democracia! Milhões. Milhões de famintos!

Vou dormir mais um pouco, dor de cabeça... Adeus vovô Ademias.

sábado, 29 de outubro de 2016

Hipopótamo #11





Capitulo I



Na minha juventude meu avô vivia sempre a dizer que uma guerra servia para limpar restos/corpos das vitimas. Um crime como se referia o boxeador, e nunca daria honras a uma pessoa, imagina a um pombo.

Mas.


A primeira guerra mundial desencadeada pela morte de um príncipe, relatos nas letras postas nos livros, e durante três anos os aliados, os bons ou como vovô preferia:


_ O nosso lado!


Que perdia de vento em poupa, eis que numa inédita decisão o vento bateu asas, as nossas, e fomos convocados para a guerra, os chamados:


Pombos correios.


Que durante o espetáculo sangrento tentavam as turras consertarem a perda das comunicações, graças a nós, elas voltaram ao normal, pelo menos ao de uma batalha.


Carnificina foi ver quantos pombos perderam as asas ou pior suas vidas por causa de um pequeno nome. Graças a uma fofoca que encerrou a guerra dando a vitória aos aliados. Campo cheio de dejetos, nada de batatas.


Aos vencidos: mortos...


Ao meu jovem avô sobrevivente que conseguira entregar a ultima e mais importante noticia.Seus amigos mortos.


Ao vencedor: uma medalha de honra ao mérito.A fofoca circulava contendo o intimo segredo dos inimigos.Ao perdedor: sujas roupas de baixo.


Durante o tempo de recesso vovô pode construir uma família. O dinheiro trouxe ao seu filho conforto, meu futuro papai.Viviam bem para pombos. Avô tenente do ar.


Mais...


19:00


Do cemitério ao casamento foi tudo tão rápido que quase não consigo ar ao descrever os atos. Os fatos expostos são que casei com a vizinha depois de nossa transa/imaginação. Uma única noite de sexo arrematada com uma ligação para o resto das nossas vidas (assim pensei triste) rotineiras. Obrigação desenvolvida pela boca dos crentes, irmãos, vizinhos enxeridos, família reunida... Merecia o flagelo por possuí-la?


Em que maldita trama havia caído?


Ganhei a benção da igreja, dinheiro, roupas, padrinhos parasitas, madrinhas safadas com seus corpos mofados.


Encontrei o garoto de cabelo vermelho numa festa, formatura da faculdade que perdera há muito.


Entre mortes e sumiços, catequese e índios deu-me a chave da liberdade.


_ Viúva, logo não pode casar de novo.


Agradeci a seu conselho, ele despediu-se com passagem comprada para Holanda junto a sua namorada;


Valentina.


Não era a mesma garota dos lindos lábios.


Cuspi nos meus irmãos tudo, casada, viúva, luto, ia contra nossa igreja, deus castigaria, o diabo sorria.Atônitos eles foram conversar com ela.


Alguns dias depois já estava casado com aquela mulher que se vestia como a bruxa do 71.


Nunca foi casada. O suposto marido fora inventado pela mãe dela para que a filha não tivesse relações com o diabo do homem.Sua mãe era de uma versão ortodoxa das nossas assembleias que foi extinta com os direitos das mulheres alcançados.


Uma geração unida:Sufragistas;Prostitutas;Donas de casas;Religiosas;Assistentes de escritório;Prostitutas;


Com o aumento de salário, camisinha, liberdade, aborto, nenhuma delas arranjou tempo para continuar o ensinamento da igreja da Eva pecadora.


Os ensinamentos pregam que Eva traiu a confiança de deus por que Adão não conseguia mais dar prazer a uma mulher e insistia em passar tempo demais com alguns animais.


O pecado original consistia numa mulher tendo prazer sem parceiro, ou alguém dúvida da imagem da cobra;


Um grande falo;Um consolo;Uma expulsão.Meninas ardentes de sexo reprimidas;


Uma delas, ao todo sobrou apenas vinte mulheres, a vossa esposa.Alguns sussurravam no meu ouvido que fizera a escolha certa. Isso não é bem uma escolha, fui escoltado para o altar!


_Apenas no caso de você desistir querido filho


Roxana reaparecia na trama ao lado de uma destruída Isabel aceitando a igreja e afirmando que o casamento pela primeira vez seria uma decisão certa, refleti que nem um gole de cerva tomara.Tudo ia sendo jogado no meu colo, carecia de vontade própria e aos poucos sentei nas cadeiras do trem, vagão dois, mais barato e assistia ao desenrolar daquela viagem sem a menor curiosidade. Assustado ficara sempre quando noto que não sei o destino dos trilhos, ainda.


E o hipopótamo corria rindo pelo caminho, meus pensamentos ficaram novamente em frangalhos ao notar que karol não aparecera no casório. Festinha onde me encontrava completamente sozinho, como no vagão olhando pela janela pressentindo que as coisas ficariam piores, e pioraram.


Check-up


Na habitual visita ao medico escutei de sua boca preenchida por dentes brancos.


_ Seu coração anda meio abatido;


-Lógico. Casei-me com uma estranha mulher com bizarros costumes religiosos/sexuais-


_você precisa procurar fazer mais exercícios;


-Ela não chupa doutor; nada de sexo oral -


_ Evite um pouco a gordura;


-Sei que sou gordo, mas tenho evitado os fast food -


_ Vista avermelhada.Hummm


Anda chorando?


Conjuntivite?-Chapado -


_ Foram notícias preocupantes, Alexandre?


Certamente, o coração não suporta as surpresas, sinto ainda amar uma mulher, que além de odiar-me. Parece que jamais a verei de novo.


_Como assim rapaz? Não sou psicólogo se vira!


-Nada de exame de próstata seu merda -


_Anda usando drogas?


Olha doutor você tem algum animal querendo sair do banheiro, tipo um hipo... Ele nem deixou completar a frase;


_Procure ajuda viciado;


Faz tempo que não fumava, dei apenas um tapinha;


O mesmo que levara da secretaria de saia curta e braços longos. Sai do hospital pronto para ser executado pelos ansiosos monkeys espaciais na saída.


Sim, porteiro. Fumei um pouco e comi um pedacinho do cogumelo, contudo possuo colírio e não fiquei gigante nem pequeno, todos ainda notam-me.


O homem parado na frente


Roberto.


Papai.


Hummm.


Percebi algo de estranho nesse senhor que gritava comigo e ai notei sua boca gritar por outra pessoa;


Como assim porteiro gay?


_ Sua mãe foi atropelada!!!


Stop.


Como?!


_ Encontra-se numa UTI e meu filho a situação é gravíssima.


Nunca sei o que ocorreu após a notícia, desmaiei pelo efeito da psilocibina ou adrenalina, meu coração anda fraco.


Odeio notícia surpresa.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hipopótamo # 9

Obra: Escher





22:30




        Sou gordo e nasci de uma família magra ainda assim vim a ser fatboy desse jeito.

Pode castigo maior?

Amo uma menina, um enigma. Com quem tive a melhor transa da vida, da qual só sinto ódio depois do fato ocorrido, preferindo na verdade meu amigo. Viciado em cockaine, riquinho cujo fetiche vê-la de quatro. Arrancaria um rim para tê-la, contudo escuto dela apenas um bom dia;

Boa noite;

Passa-me o amendoim.

Pode destino pior?

Meu pai e tão gay na mesma medida de um seriado enlatado americano, tanto quanto Paulo coelho é renegado pelos intelectuais, tudo bem nunca soube enfiar esse tal de Q.I avançado. Roberto esforça-se para dar lição de moral sobre mulheres, drogas, trabalho e acabo imaginando sua boca chupando um pau em algum beco de esquina.

Existe coisa pior?

Meu pênis e ridículo demais para qualquer discussão, já disse isso algumas vezes e detesto me repetir.

Existe coisa pior?

Quero com bastante molho;

Pode salsicha maior?

Esquecendo a transa surreal com karol, prefiro ficar masturbando-me junto a sexmachine do que pagar uma dessas estrelas de novela.

Pode parar de gemer um pouco?

Pode parar nesta estação estou enjoado?

Tem como tirar metade do meu peso e usar parte para aumentar meu pau?

Odeio cálculos difíceis

Posso escolher outra roupa?

Pode para de cagar na janela, pombos de merda?

Continuo seguindo o hipopótamo alucinado. Pode parar de reclamar ele diz!

Sim. Fácil. Aponte uma arma na minha cabeça e estoure os meus miolos, mas cuidado para não acertar barriga, nada de tiro nela hoje, pois almocei miojo.

Deus me odeia, renega meus familiares.

Por que você não entra para uma igreja para provar isso.

Pense...

Uma boa desculpa.

Quem vê cara não vê coração;

A justiça usa uma venda

Uma dessas beatas nem precisa fitar-lhe como um porco para te amar.

Amor?

Pode castigo maior entrar para uma igreja?

Meus pais me querem longe.

Estou perdendo amigos.

Dentes.

O amor da minha vida.

Perdi a faculdade.

O ultimo episódio daquela série da família de negros.

Deus me detesta.

Está é minha única verdade.




14:57




        Algum tempo depois minha vida tomou um rumo inesperado graças a um telefonema antes da hibernação habitual.

_Alo?

_ Alexandre, oi é o Alberto tudo tranquilo ai?

_ Claro!

-Coisa ruim. Afinal seria a primeira vez que ele me ligaria-

_ o que houve brother?

_ amigo to ligando pra te dar uma grande noticia...Vou casar com karol!

_ que bom!

-Noticia ruim!-

_ Além disso irmão, nós decidimos seguir o exemplo de Jonas e largar essa vida errada, entrar nos eixos.

-Péssima noticia!-

_ antes que esqueça: Feliz aniversario!

- Por sinal esquecera-se disto -

Jonas conseguia convertê-los bem rápido. Onde estaria meu bolo de aniversario, meus amigos, velinhas, presentes. Festividade em desligar o telefone e voltar a dormir.

Tempo depois os dois pombinhos seguiam viagem para alguma parte do interior, casa de uma tia de Alberto. Jonas parecia realmente um filho da mãe com sua indumentária religiosa.

Bíblia embaixo do braço;

Cabelo repartido ao meio;

Semana a semana querendo conversar sobre a salvação com um gordo completamente dopado. No inicio tratei de rir bastante como se fosse um bizarro mundo paralelo, todavia os dias aumentam a sensação que o mundo estava mesmo de cabeça pra baixo.

O meu mundo!

Acordei com barulhos estranhos vindo do quarto de Roxana. Caminhei assustado e fiquei paralisado ao vê-la gemendo em cima de papai, sussurrando meu nome no escuro. Detive-me e retornei para a cama.

Sonhara!!

Refleti ao constatar que Roberto estivera fora para viagem de trabalho...Pensei se estaria alucinado por dois pensamentos.



1º. Numa frase que lembrei “se não pode vencê-los junte-se a eles”



2º. Quem era o homem escondido nas trevas entre as pernas da mamãe?



Passei dias dormindo ruminando bem baixinho tais acontecimentos e aos poucos percebi estar rezando de alguma forma. Perdido em pensamentos e ao suor que escorria, logo indaguei;

Não tenho salvação!



20:30



      Não encontrei nenhuma salvação, mas embutido da primeira ideia caminhei pelos cascalhos da vida e praça central. Parei perto do grande templo erguido com suor e sangue. Ali mora o senhor, bola de neve, aquele que me odeia, roubou amigos, trouxe vazio a um coração fraco e não retive duvidas ao entrar na casa e perante olhos atentos, gritar;

_ Sim quero ser salvo!!!



A plateia descrente pela atitude não percebe que a vida continua. As flores morrem caindo em qualquer terreno imundo pelos montes de lixo largados. Pessoas correm como porcos em busca dos restos de muitos jantares, todos infelizes.

O verão aquece o mercado e queima a pele pronta para biquínis e algumas cervas na praia. Comercias visando o lucro, dane-se hidratação, alimentação, apenas cartão de credito.

Barba cresce,

Cabelo cai.

Barriga cresce,

Pênis adormece.

Pombos voam e o hipopótamo passeia livre pela colina. Não estou com fome, pois acabei de digerir comida de plástico, tranquilizantes misturados no copo, no sorriso do palhaço.

Jorrado na cara dos espectadores.

Atônitos eles percebem a virada ocorrida, nenhum plano, desculpa, quaisquer palavras.

Deus escreve certo por linhas tortas.




por Thiago Mendes

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Hipopótamo #8



Obra de Escher




Copa do mundo!





             Jogo da seleção patriótica acompanhado de Jonas num bar tela de plasma. K-rol e Alberto haviam marcado um motel beira de estrada. Fogos e gritos, gol do Brasil para a felicidade dos meus companheiros do estabelecimento. Um potente cheiro me persegue;

Gozo?

Sinto de longe o teor. Será essência escorrida das pernas?

Afinal masturbava-me no canto do Box mentalizando os seios de K, antes de Jonas bater na porta gritando sobre a estreia dos canarinhos.

Alguém morreu no banheiro ou de lá mesmo alguma menina engole pela boca?

Hesitações, sentado de frente a uma Faraday que constata fácil goleada pelas estrelas do nosso futebol.

Delírio nacional.

Duvida aparente na mente na torcida;

Vai ser fácil levar o troféu?

Donde provinha o aroma carnal?

Nem de longe dos desinfetantes tóxicos das empregadas que ali se encontravam, nem da naftalina exposta no banheiro.

Muito menos das plantas de plástico que revestiam o ambiente verde, samba, azul, mulata.

Tão pouco das batatas fritas no meio da mesa molhadas pela espuma corrente dos copos de cerva barata.

Por um instante entre a euforia do povo, alegria de mais uma vitória democrática. O salário broxante, contudo teremos orgasmos pela pátria das chuteiras de milhões de dólares. Pólvora com fragrância do contentamento das caras pintadas, camisas amarelas, crianças hepáticas. Risos amarelos do café servido de graça.

Felicidade não se compra?

Consome-se como café barato!

Pólvora que não mata, morre apenas na minha cabeça no segundo tempo o forte perfume de porra, que Suskind sinta;

Seu assassino teria prazer por nós.


08:31



      Imagine uma roupa de gala. Elegante, finíssima, ousada e sempre na moda.

Mas.

Pense agora neste mesmo traje sendo visto como trapo velho de um mendigo, o que houve com o galã?

Quem importa... A roupa que vestimos ou quem nós somos?

Que olhos julgadores dirão ao certo o que devemos fazer

O que devemos ser?

O tempo esgotou ou ela perde o sentido que outrora possuía.

A roupa.

A vida será assim também?

Quiçá um sentido haver.

Agora olhe os pombos como uma grande analogia.

Durante guerras eles são vistos como heróis atravessando de um lado para o outro, arriscando suas penas.

Contudo mundo muda e enxotados pela alcunha de ratos de asas.

Era a guerra sua indumentária existencial?

Ou eles devem cortar suas asas para despistarem os olhares críticos?

Um livro relatando suas vidas destruídas, uma família de pombos onde o avô é um ex-soldado e o seu neto um mendigo que cata lixo junto a seus pares punks. Tristeza contida nas gerações.

Sobrenome que no passado lembrava algo mais nobre e importante. Hoje em dia nem um prato de comida daria pra ganhar com ele.

Imaginou?

Pois esse é meu livro, a grande inspiração que tive pela fresta fumando meu cigarro. Essa ideia que tive aos vê-los no telhado alheio. Claro que envenenei o sangue para melhor visualizar toda a cena. Felicidade percorria cada parte do meu grande corpo e pela primeira vez entendi o significado maior de toda aquela gordura, toxina, perversão. Ganhar dinheiro escrevendo coisas alternativas pingando o verdadeiro semblante da nossa sociedade.

Fútil e preconceituosa!

Portanto não foi surpresa nenhuma para este novo autor quando li o roteiro ao meu professor e ele indicou-me um psicólogo cujo passatempo era afirmar sermos irmãos pelos cogumelos adquiridos ao som do Pink Floyd. Matrícula trancada na faculdade sem previsão de retorno as letras. Família chocada quando descobriu maconha no quarto e pulmão ferrado do filhinho. Menos mal que guardei o pó e o final da historia para mais tarde.


19:53



              No dia seguinte descobri o motivo de sua brusca saída do Manu lanches, o rosto sem cor, paralisado, distante de todos há dias. De inicio não pude crer naquilo de que se tratava. Jonas renunciara sua antiga vida, seus vícios e hábitos para adentrar, na mesma igreja da sua mãe. E de tão agradecida pelo milagre resolveu doar todo o dinheiro da pensão para as obras.

Deus agradece!

Jonas dissera que ouvira vozes nestas ultimas semanas ordenando salvação da alma ou perdição eterna no inferno. O ser celestial chamava-se também Jonas. Na verdade seu anjo da guarda, porque mais tarde sua mãe contara numa certa manhã cujos raios solares batiam em seu rosto e pela janela ela viu uma criatura cheia de paz. Esta mesma imagem escolheu o nome de batismo do filho dela.

Jonas.

A coisa começa a ficar complexa!

Jonas ajoelhou e prometia ao narrador seguir um caminho puro e santo. Largaria qualquer empecilho de sua diretriz básica.

Visões aladas, loucura, efeito de algum bosta de vaca, ele sempre teve uma força de vontade diferenciada.

Ainda criança Jonas assistiu ao um documentário sobre animais maltratados no abatedouro. Nunca mais comeu carne.

Sempre travesso sempre soltava galinhas das suas prisões e odiava pet shops.

Ninguém notava essas atitudes por que ele não as realizava para ser lembrado como herói.

Comum ele dizer que consistia em obrigação.

Apesar das estatísticas contra um pesado viciado que fora Jonas por toda sua vida, passado. Não botou coisa alguma mais no nariz ou na boca.

Qualquer coisa mesmo, visto que tinha habito de cheirar café quando assustado descobria que a coca acabara.

Perdia neste momento um primo e amigo para deus e sua corja de adoradores.

O que poderia servir para ajudar trouxe apenas ódio ao peito e uma verdade.




Por Thiago Mendes

terça-feira, 27 de maio de 2014

Hipopótamo # 7




Obra: Escher


Para quem perdeu as pistas , segue as pegadas do Hipopótamo.


Pegada 1   Pegada 2  Pegada 3  Pegada 4  Pegada 5  Pegada 6



01:00
 
 
 
       Uma conhecida puta no meio de uma multidão de homens e cervejas. Parado na vila/morro sou alvo fácil;
_Panda!
_ Não tenho dinheiro, algo melhor!
Pego-a pelo braço entramos no formigueiro.
Cheiro estranho.
Estranhos.
Latinhas esmagadas pelos sapatos.
Escadinha escondida entre barracas de comidas típicas.
Todo o caminho não surpreende, sou neto de guerra.
Quartinho pequeno com péssimo ventilador.
Camisinhas.
Monto em cima da cadela que já sai gritando tudo.
Meu peso imagina.
Dez minutos, e o tudo termina com a cara gozada.
Cheirar numa barriga magrinha depois de suar alguns litros de merda e cerva.
Essência do sexo.
Grudado feito chiclete ruim nos narizes trabalhando.
Trepar mais um pouco.
Gozamos.
Adoro o efeito disto na minha vida e a facilidade não se compra.
Sem dinheiro;
Carteira recheada;
Pinta boa ou;
Um belo pinto.
Uma piranha boa de napa pronta para transar com o gordão cheio de brizola.
Simples assim.
Atalhos. Cheios deles.
Como cliente frequente já sabia qual menina servia. Engraçado consistia em ver uns playboys tomando fora dessas meninas.
Realidade.
Não suas minas de cabelo armado e traseiro empinado.
Suas lourinhas querendo ser nossas cachorras, com seus narizes sangrando, chorando ao tomar no cu.
Quantas meninas da faculdade.
Tipo modelos de exportação.
Vendendo seu corpo para pagar universidade.
Cursinhos.
Visita ao cabeleireiro.
A vida se resume em comer ou servido.
_ sinta-se em casa meu rei
Desejo karol, mas vou descontar em sua bunda mesmo.
Ela geme novamente e chego a desconfiar de todo o espetáculo.
Boas atrizes.
Muitas delas no puteiro.
Na cama.
Na sua cama fingindo.
Arte.
Fingir é uma arte não importa a idade.
Alguém me disse.
Meu pênis nunca fora exaltado desta forma.
Ela afirma que sou um animal!
-Vejo-a na tv as oito dizendo meu amor -
Ela grita enfia essa porra!
-Escuto, desconta este cartão -
Transando com a nova estrela da novela do horário nobre, as outras estão espalhadas à espera de alguma câmera.
Algum grande irmão.
Vamos trepar feitas vadias.
Vamos brincar feitos carolas com suas crianças.
Estrelas.
Queremos ser admirados.
Quem não quer?
Karol é minha diva, todavia não passa de figurante do meu programa.
Foda com o gordo!
A protagonista chora cada vez mais!
 
 
07:13
 
 
 
      Acordei mais cedo que o habitual graças àlgumas paranóias postadas nas seções acima ou abaixo da minha cama.
Um rascunho.
 Mesa posta na cozinha e sol na janela. Fazia tempo que não tomava café com a família.
Torradas e alguns ovos mexidos.
Alguma bebida dietética para o meu pai.
Sucos e frutas para mama.
Despedidas para referidas saídas ao trabalho.
Um antigo seriado onde a família representa a felicidade não comprada.
Quarto grande dos meus pais e fito seu espaçoso espelho querendo autoafirmação.
Sou um escritor de sucesso e preciso de um bom livro.
Uma historia inovadora. Faculdade de letras e nada.
Nada de palavras.
Nem de orações.
Necessito delas concluo ao imaginar um gordo com as costas suadas demarcando o mapa do Brasil.
Never!
Aspiro às altas circulações.
Um Chuck e suas vísceras ou Douglas com seus guias.
Não posso ser invisível perante a sociedade.
E não quero ser póstumo!
Mente visualiza karol ao meu lado numa banheira duplex branca como a neve. Nua chamando-me:
_ Dear, vem logo a água ta uma delicia e sou toda sua!
Fama.
Cama.
K-rol.
Autógrafos, entrevistas, magazine!
Wake-up!
Ligar o computador, editor de textos, documentos em branco.
Silencio!
Sentado numa cadeira feita sob encomenda.
Espero...Algo divino, que os anjos hoje falem comigo ou que o chão se abra e Mefisto/proposta vinte quatro anos sem devolução. E nada!
Terra do nunca.
Há exato um ano cometo esse ritual e tirando alguns medíocres rascunhos nunca tive uma iluminação.
Uma vida sem graça.
Cativante.
Emocionante.
Atraente.
Ausências.
Aposto que pagam um real por ela.
Quero um cigarro, janela e mais café.
Banheira.
Os sinos batem dentro do templo.
Eureka!
Entrei na banheira jorrando todo a água pra fora.
O volume da ideia.
Corro gritando, achei! Pela casa, não nu, pior caio no primeiro piso.
Pela primeira vez algo inesperado.
Esperado por todos.
Pela fresta os vejo mexendo indo de um lado a outro.
Telhado, antenas, to ligado captando as ondas de uma nova radio.
Radiohead!
Rindo por que finalmente tive uma epifania – depois procuro no dicionário a correta palavra – O rato de asas.
Vou escrever sobre eles.
Tive uma ótima descoberta entre risadas constantes e uma vizinha debaixo gritando com o marido algo da guerra dos meninos da favela.
Chacina.
Crianças.
Mortes.
Sim!
Uma enorme big mac to com fome de ideia.
Retorno ao teclado para iniciar meu best-seller. Não posso esquecer os detalhes.
Agora sim vou entrar na banheira água morna hobby azul e ser chamado de amor.
Agora sim posso sentir dor da maldita topada/arranca unha.
Escreverei sobre pombos.
 
 
20:01
 
 
 
       Party prive.
      A chamada festinha apenas para nossa turma teve uma novidade com a presença do jovem existencialista e sua namorada. Jonas demorou e apenas no final deu ar da sua graça completamente chapado devido a algum chá, contudo os acontecimentos a seguir tinham todos uma intenção maior.
Assim acreditei.
Sentados nas poltronas e uma mesinha redonda junker, escutando alto som, rock, entre alternativo, indie, pop, punk e tantas outras definições.
 
Bjork.
 
_ o que ela quer dizer com essas musica?
_ ela é muito gostosa!
_ lésbica?
 
Beatles.
 
_ quem matou Lennon?
_ quem matou Paul?
_ Paul morreu?
 
Pavement.
 
_ cuspo na cara de um estranho?
_ muito estranho o som!
_ Adoroooooooooooooo!
 
Sex pistols.
 
 _ dor de cabeça!
_ porra, muito bom!
_ acho que vou vomitar!
 
E foi assim que Alberto deixou-nos neste dia para se aventurar pelos labirintos daquela casa. Mesmo morando nela, encontrar um dos três banheiros entre varias portas, subidas, corredores, missão das mais sinistras. Acabou vomitando pasta verde bosta num quarto com um leve cheiro de rosas. Ele não me contou isso, visto que passei pela mesma situação uma porção de vezes.
Voltemos para sala.Onde não havia aversão do que saia da minha boca mais sim, muita diversão. K-rol parecia rir como presenciando um episodio Seinfield/Kramer.
Garrafas ficando vazias rápido demais para o tesão que aumentava pelos olhares de k-rol. Sartre e Simone despedindo-se de nós. Despindo K com a maior arma que possuía, a boca. Reclamando de calor nem pensei no grande ar-condicionado split de 60.000 btus que pairava acima de nossas cabeças.
Pode rir.
Seus seios perfeitos, molhados devidos ao suor e saliva caída da minha língua de encontro a sua.
Beijos suculentos.
Ninguém refletiu no melhor amigo roncando alegremente no quarto ao lado.
Deitados, desajeitados pelo álcool, ela descasca minha roupa e começamos a trepar.
K começa a gemer e reparo no meu pênis que parecia gente grande.
Pode rir, mas nada de se masturbar!
Intervalos, respiração tensa.
Com uma voz rouca enfiada dentro do meu ouvido;
_ essa foda está demais!
Quero mais.
_ você ta me comendo toda!
Quero você sempre.
_ Nunca vou esquecer disso caralhooo!!!
Amo-te menina.
_vou fazer algo pra lembrar disso, não esquecer deste dia.
Esqueça o Al!
_ meu querido hipopótamo!
Como?
Gozei, ela também algumas vezes, parecia que o tempo não intervinha naquela cena e se acaso Jonas não tivesse neste exato momento parado fitando karol montando um cavalo do mar selvagem, teria questionado melhor a ideia do hipo.
Alguns dias depois.
       E algo aconteceu para tumultuar ainda mais minha nada normal cabeça. Karol quase não falava comigo, parecia que respondia apenas por educação aos meus chamados.
Arrependida?
Por ter transando com o amigo do namorado?
Por fazer sexo anal com um gordo porco?
Por Jonas ter nos pego?
 
Nunca saberia a verdade daquela noite, do enigma k-rol.
Não conseguia evitar em pensar nisso e com a ajuda de algumas toxinas comecei a ter viagens alucinantes com o hipopótamo.








Thiago Mendes é o autor do conteúdo deste livro, do qual você está livre para copiar, queimar ou enfiar em qualquer lugar...Claro, não esqueça de dar crédito ao autor.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hipopótamos #6

Escher



        Para todos que acompanham a história ou esbarraram acidentalmente por aqui, segue os links das outras postagens. Assim ficará melhor acompanhar os devaneios desse personagem e por que não dizer, do próprio autor.

Parte 1     Parte 2     Parte 3     Parte 4    Parte 5



Lex Talionis
 
 
 
      Na televisão vejo a historia de um homem que estuprou e matou a filha do vizinho.
Uma garotinha de apenas oito anos com ambições de dançarina de axé.
A caixa débil ganhando sinceros votos de ira. Esse desgraçado tem de morrer, porém nossa brava legislação com sua matemática cega. Pagar duzentos anos em pequenas parcelas de trinta. Na verdade uma única taxa de entrada. Bom comportamento dentro do inferno ainda vale algo. Cortada pela metade em alguns anos. Redução de impostos nunca!
Como fica a família perdendo sua pequena esperança pelas mãos de um monstro.
Nenhuma pena.
Nunca fui humanitas.
Sinto-me péssimo, pó e a cerva acabaram. Não tem nada nesta maldita espelunca e ainda por cima uns senhores com seu papo de direitos humanos e universais?
Uma atitude desta é humana e universal?
Sonho com este maluco desaparecendo entre pernas cabeludas dentro de um fétido banheiro/prisão.
Vendeta!
Por que estou tão irritado com toda esta cena. Merda de insônia, e agora esse canal evangelixo querendo pregar que o condenado sofria com o diabo no corpo.
Sofro com o maldito peso.
Renegado por deus.
Queimado pelo diabo comunista.
Estrelas caídas do céu largadas na portaria.
Qual o problema da vida. Pela janela tudo me parece mais cinza, menos real. Perdemos nossos últimos resquícios, da caverna ao hospício.
Embarquei no trem errado e quero soltar.
Ando vomitando pelas frestas toda hora.
Sonho?
Pesadelo!
Lembrança.
Karol e Alberto no bangalô de noite. Meu amigo abusou da mulher da minha vida.
My vida começou a ficar estranha depois disso.
Preciso de um banho.
Uma queda provocando o plano de vingança.
Passageiros a estação próxima fica a meia hora!
 
 
18:35
 
 
 
      Na piscina devia ter umas cinco pessoas. Dois moleques amigos do riquinho. E três meninas completamente doidas com os seios a mostra.
Alberto e Jonas esperando dentro da casa indiana.
Mesa.
Nela tudo que dopa e o dinheiro podem possuir, e botamos nossos narizes pra funcionar.
Fumaças pra saborear e dizemos besteiras apenas pra sacanear.
Jonas pede camisinhas e chicletes ao meu bolso e some junto com uma das meninas topeless deixando vela acesa na minha mão, na outra um baseado apagado por que Karol decide ir embora e seu namorado parece insatisfeito com isso.
Ela. Sonolenta, pedindo, por favor, pra voltar pra casa;
Bad trip?
Eles discutem e Al ligadão como árvore de natal das ricas mansões da vizinhança começa a arrancar a roupa dela.
_ Feche a porta panda!
Antes de continuar; O panda consistia num apelido que Jonas dera-me pela nossa amizade. Branco e grande, cheio de pó e gordo.
Ela desfere olhares e nenhuma resistência para os braços dele.
Olhares pedindo ajuda. Nada faço enquanto presencio Alberto enfiar seu pênis na bunda branca dela.
Alberto rindo totalmente alterado.
Fujo correndo da cena.
Caio dentro da piscina vomitando os dois cachorros quentes e meio do almoço.
E noto.
O barulho das meninas e dos meninos transando na borda.
Jonas fazendo sexo oral numa negra gostosa.
Nunca pensei que alguém não pudesse me notar.
Nesse dia percebi que havia algo errado comigo por não ter agido ou com Deus nada de milagre ou com a coca daquele morro.
Jamais saberia ao certo.
Apenas a cabeça girava em estranhos pensamentos e acabei vendo pela segunda vez um hipopótamo na imensidão do fundo azul.
Não podia ser coincidência.
 
 
04:00
 
 
 
      Ando pelas ruas com muita pressa afinal equilibro-me sozinho entre latões de lixo e despachos do preto velho. Felicidade transcorrida em cada movimento abobalhado dos braços.
O fétido cheiro do ar não confunde o perfume impregnado dentro do meu cérebro e das roupas.
 Agora me encontro completamente sozinho em busca da minha casa. Pelo menos penso assim.
Antes fumar um cigarro.
Dopado de erva.
Uma longa aventura se inicia.
As vermelhas velas parecem querer me indicar algo.
Paranoico.
Entre ossos de uma suposta baleia pensadora caída do céu.
Trevas.
Surgem cachorros seguindo meus passos e não sei se acaso eles estão dispostos a me enrabar ou conversar comigo.
A segunda opção vira realidade devido a um vira lata com dentes sujos de carne podre que late:
_vou te matar au au!!
Senti uma terceira pior opção. Um sacrifício com velas, caixa torácica, lua cheia e seguidores de Rin Tin Tin.
Por sinal toda sua geração.
Cinco!
Continuar assim ficara impossível, decidi correr com isso encurtaria o caminho, na verdade, quando se encurta se engorda a coisa e minha barriga é pesada e fofa de menos ao tombar de encontro ao chão.
Abatido feito time rebaixado para segunda divisão.
Respiro fundo. Levanto a cabeça, ninguém para ajudar.
Melhor.
Silêncio.
Nem sombra dos cães.
Menos au.
Um hipopótamo passeia pelos paralelepípedos da grande avenida esqueci o nome/lembro depois.
Loucura.
Aproxima se, um largo sorriso bem amigável.
As armas são suas bocas.
Sei como é esse negócio.
Todo machucado conto com sua ajuda para me acompanhar caso aconteça uma possível revolta dos gatos infernais. No momento em que a mente parece restabelecida, em casa!
Sonhei?
Ainda bem que não acordara dentro de um saco de plástico.
Novamente paranoico.
Mas.
Uma ideia toma conta do espaço reservado àlguma atividade criativa.
O melhor dia da minha vida.
Certamente o mais surreal possível.
As possibilidades seriam muitas.
Vou escrever um livro!
 

Thiago Mendes é o autor do conteúdo deste livro, do qual você está livre para copiar, queimar ou enfiar em qualquer lugar...Claro, não esqueça de dar crédito ao autor.