“Para converter-se em um sábio é necessário transitar pelo caminho do guerreiro. Um guerreiro não é alguém que vai à guerra matar pessoas e sim aquele que demonstra integridade em todas as suas ações e um controle sobre sua própria pessoa. Um guerreiro vive cada momento de sua vida, sem orientar-se pela complacência ou pelo lamento, sem ganhar ou perder, está sempre alerta e lúcido a tudo que o rodeia. Age com abandono de si mesmo de maneira impecável.
A impecabilidade do guerreiro evoca uma atitude interior, uma luz que se aproxima notavelmente da humildade e a aceitação de viver imerso na eternidade, transformando cada circunstância vital em um desafio vivo e sincero. Ninguém nasce guerreiro. O caminho continua até o final de nossas vidas.”
Carlos Castañeda.
Vivemos diariamente batalhas em nossas vidas, sejam elas por coisas simples, sejam elas pelo ato de respirar. Cada suor, sangue e lágrima conhecem o caminho da luta e reconhecem o peso da derrota. Somos refeitos pelas nossas perdas e é delas que vamos falar um pouco.
Perder faz parte da vida – coisa que a gente tende a escutar demais – mas em suma é uma verdade intangível que afirma que vamos ser derrotados. Talvez pelas ações de outras pessoas ou em outras ocasiões por nós mesmo. Contudo perder é também aprender e para isso devemos afinar nossos espíritos como guerreiros. Se a morte é inevitável como a sensação de se sentir derrotado podemos retirar disso a essência para continuar a vida.
Resumindo de forma mais simples diria que quando perdemos, podemos perder como guerreiros. Sem lamentações ou hesitações, sabendo que da mesma forma outro dia vai nascer amanhã.
A diferença entre um guerreiro e um pequeno tirano não está em suas vitórias e sim em suas derrotas. Um guerreiro está preparado pra elas, sabe que uma vida sem elas não é possível e as aceita. Por outro lado, um pequeno tirano se alimenta de suas derrotas, entra em negatividade constante e acaba oprimindo a si próprio e aos seus próximos.
Como foi bem visualizado na mitologia do filme Matrix se você não é um desperto acaba sendo um agente em potencial.
Perca como guerreiro, não seja um pequeno tirano na sua vida e na dos outros.
E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música. Nietzsche
Recentemente li o livro de Robert Anton Wilson chamado "A nova Inquisição". Um livro de 1986, porém ainda muito atual.Em umas das partes do livro RAW escreve quase como um mago prevendo o futuro:
Por exemplo, todos nós ficamos frequentemente irritados com o jornal diário. As "notícias" ou supostas notícias que não queremos ler são impressas; opiniões heréticas e idólatras aparecem na página inicial e, algumas vezes, na seção dos colunistas. Os políticos (o campo oposto,naturalmente) contam as mais deploráveis mentiras, que também são impressas. Com a tecnologia do computador moderno, tudo isso poderá ser evitado muito em breve. Apenas preencha um simples questionário e envie-o. O computador imprimirá uma versão levemente diferente do jornal daquele dia para cada leitor, e sua cópia personalizada virá até você pela manhã contendo nada mais do que aquilo que você quer saber. Depois de um ano, ou talvez cinco, você terá esquecido completamente todos os sinais "estranhos" e desconfortáveis que anteriormente lhe causavam aflição.(p 223)
Estamos diante das redes sociais?
do Facebook?
Uma ilha de edição?
RAW escreve sobre os túneis da realidade que as pessoas continuamente compõe em suas vidas. Dessa forma um único túnel de realidade seria pessoas que veem o mundo apenas por uma lógica, por exemplo evangélicos, católicos ou budistas.
Tentar este simples experimento: fique parado durante o "pôr-do-sol" e observe por alguns minutos. Enquanto você observa os espetaculares efeitos de cores, lembre-se de que "o Sol não está descendo. A Terra está girando em seu eixo". Se você for estatisticamente normal, você sentirá, depois de alguns minutos, que, embora você possa entender o modelo de Copérnico intelectualmente, parte de você (uma grande parte) jamais sentiu esse modelo antes. Parte de você, hipnotizada pela metáfora, sempre sentiu o modelo anterior a Copérnico, ou seja, uma Terra estacionária.Esse experimento também pode ajudar alguns indivíduos a entender tais termos como "realidade existencial", "realidade êmica","túnel de realidade" e assim por diante. Você poderá ter uma visão sobre quão "real" os túneis de realidade bizarros são para aqueles que "vivem" dentro dele(p214)
Metáforas.
fatos.
ilusões,
Não é mero acaso que RAW compreenda que alguns filósofos, e particularmente Nietzsche, já entendiam bem essa realidade.
Nietzsche era linguista e filólogo antes de se tornar um filósofo, e sua filosofia origina-se na análise linguística. Ele foi um dos primeiros (depois do enigmático Giambattista Vico) a observar que redes linguísticas moldam a percepção e restringem o pensamento. Sua crítica escandalosa, hilária e perigosa da moral convencional originou-se diretamente dessa observação, e era uma crítica de hábitos neurossemânticos acerca de como as palavras nos hipnotizam e predeterminam vereditos apressados. Eventualmente, ele se perguntou: e se as redes linguísticas estiverem somente em nossas mentes e não existirem no mundo externo? E se a experiência ética, a própria existência, não editada pelo sistema de arquivos êmicos do cérebro, não tem forma, ou for multiforme, ou perpetuamente em evolução, muito fluida para ser capturada em um modelo ou túnel de realidade linguístico? (p177)
Uma animação de 2009 chamado Metropia traz uma visão sobre os túneis de realidade. Com atores como Vicent Gallo e Juliette Lewis no cast. Segue o trailer