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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Hipopótamos #5



18:05



       Com muito sono espero Karol na saída do colégio com nome de algum militar esquecido, por sinal todo o prédio foi abandonado pelos políticos. As meninas com suas saias/fetiche rindo, todas parecem iguais.
Uniforme.
Fugir da rotina.
No meu despertar sou mandando buscá-la entre o análogo sexy.
Não Karol.
O seu cabelo vermelho da um toque cult para sua pele branca e lindas perolas azuis. Corpo exuberante.
Burra.
Segundo grau ainda.
Apaixonei-me por uma idiota gostosa reflito lendo Schopenhauer que diz “a desgraça é a regra geral”
Imagino a vida de Karol, tola, boa, pobre, namorando Alberto que a adora por causa do seu grande traseiro.
Conheço-a do tempo de crianças.
Vizinhos.
Morava com uma senhora, que morreria antes do casamento da neta.
Salada mista.
Paixão a primeira piscina pública.
Alberto é filho de Alex e Sara, rico tem uma mansão no bairro e um sobrenome imponente.
Por isso não tenho permissão de escrevê-lo. Caso isso aconteça pagarei uma multa gigantesca.
Minha mãe trabalhou na casa deles como ajudante/enfermeira por algum tempo quando Sara sofria uma doença degenerativa.
Sara morreu.
Hoje cuida de um senhor/morte.
Hora dos remédios.
Morfina.
Fraldas geriátricas.
Viagra.
O velhote tem um gosto especial por prostitutas com ar infantil.
Minha mãe fofoca com rolinho em casa.
Nem esse velhote quer comê-la.
Triste.
       Conheci Alberto ao frequentar sua casa, contudo ele vivia na minha. Brincávamos sem perceber a diferença entre o carrinho de plástico e o quadriciclo/carrossel duas portas ao qual ele passeava. Crianças inocentes que arrancavam as cabeças dos bonecos do exercito para desespero de vovô Ademias.
Vudu.
Magia haitiana.
Filipina.
Vietnã.
Ele nunca esteve nesses lugares, contudo sua cabeça ruim nunca o colocou no lugar certo.
Por duas vezes ele veio visitar o neto.
Parou.
Por que esqueceu que havia um.
      Karol e Alberto foram colocados num altar pelo estúpido cupido gordo que a trocou por balas, doces, festas, amizades de plástico.
Al numa primavera nos trouxe todo o prazer da cocaína descoberta com um amigo do seu pai numa poltrona sexta feira com bolso cheio de sacolés/morro. Questão de tempo Jonas entrou no grupo, sua coragem para esquemas, suas ideias completavam tudo.
Ele arranjou um jeito de termos sempre em mãos o pó.
Já que o amigo do pai morreu alguns meses depois num roubo a banco.
_ Onde está Alberto?
Tentei manter a calma diante daquelas pernas e uma suposta surpresa pela minha presença ali em vez de seu namorado.
Aqui começa o enigma.
__ Al falou para buscar-lhe por causa de uma festa ocorrendo na casa dele. Jonas também se encontra lá.
_Alberto falou algo com você?
_ Não, nada demais.
A indiferença brotava dela sem muito razão aparente, visto que não nos víamos fazia uma semana e que a ultima vez fora a melhor noite da minha vida e possivelmente da dela.
Contudo tenha calma.
K-rol.
Decifre-me ou devoro-te.


Festinhas.



       Alberto dava frequentemente festas na sua grande casa solitária do seu pai viajando. Alex vivia no escritório/advocacia.
Empregados dispensados.
Drogas arranjadas.
Existiam dois níveis de festas:

1º. Festa do quintal: havia uma casinha no quintal.
Bangalô.
Chamávamos alguns amigos próximos.
Álcool, meninas, fumaça.
Pulávamos na água.
Eles!
Odiava essas porque não curtia nadar.
Na verdade ficar de sunga.
O péssimo hábito de tudo ficar de fora.
Pelos e gordura.
Terminava num canto chapado demais para lembrar como chegara nele.

2º. Party Prive. Acontecia dentro da casa de Alberto.
Vazia.
Realmente para nós.
Alberto mudara desde criança e hoje em dia dava muita importância para seu dinheiro. ”Confie sempre em si e quando puder nós outros”.
Repetia isto quase sempre.
Mesmo que não soubesse o autor dela.
Por isso a diferença única da primeira para a segunda consistia no número de pessoas e por títulos idiotas que Jonas inventara em seus acessos/excessos de karatê/brizolado.
As festas do segundo nível sempre marcaram minha mente.
Por motivos pessoais nunca me esqueci dessas.

Pegadas do HIPO






Plaz Mendes.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Hipopótamos #2




17:53




       Exatamente nessa hora a contar trinta segundos conheci Jonas. Pontualmente neste dia nasci, voltemos vinte anos. Nascemos na mesma maternidade pela barriga de irmãs que nunca se entendiam bem, porem entre os vinte aos trinta, esbarramos dentro da enfermaria, desunidos por nossos cordões umbilicais. Unimos novamente as duas desgarradas por motivos religiosos. Minha mãe, Roxana, nunca acreditou em Deus e sua irmã Izabel vivia numa igreja batista, presbiteriana, maranata, evangélica, whoever. Não é a toa que o nome do filho dela foi escolhido dentro de um desses lugares santos junto aos seus irmãos de crença.Jonas.Roxana odiava essas intervenções divinas na vida de sua família e tratou de se afastar de tudo renegando sua única e mais velha irmã. A mesma que cuidara dela como se fosse uma filha visto que vovó Lael morrera cedo vitima de câncer no pulmão. Minha tia deu comida, banho, porrada, carinho, biscoito e recebeu um sonoro:_ Não quero saber de seu Deus!Por causa da morte de Lael que Isa decidiu aproximar a família para uma religião depois de quase três gerações de total ateísmo.A dor da minha vó na cama, prostada, uma sincera visão do inferno e o melhor jeito de se proteger disso seria Deus, afinal cigarro é coisa do capeta, repetia Titia sempre que questionada.Minha mãe optou pelo tradicional; a culpa de tudo isso só pode ser caso ele exista, dele.       O afastamento delas tinha se acentuado muito pelos anos, todavia nosso surgimento na mesma maternidade signo divino para Isabel e uma grande desculpa para finalmente Roxana reatar os laços da família. Minha mãe apesar da careta de sua irmã escolheu;Alexandre.Aparentemente sem nenhum motivo próprio.


  

Homens...



         A falta masculina no capitulo acima não será muita surpresa no decorrer da historia. Lael perdera cedo seu pai. Meu vovô Ademias vivia seus últimos dias com um câncer mastigando seu corpo e memória. Jonas nunca conheceria seu pai por derrame. Minha mãe e sua irmã temiam haver uma maldição para os homens da família. Sonhavam em ter meninas, quando souberam se tratar de dois pintinhos. Sofreram um baque. Muito mais Isabel no momento em que afirmava o médico seu filho nascera prematuro, e com um grande saco enquanto Roxana dera a luz ao mais gordinho bebe da maternidade, palmas! Vários sorrisos durante a infância, paparicados por todos os parentes que hoje são fantasmas em fotos. A esperança vivificada na pele daqueles dois garotos... Como poderíamos carregar tamanho fardo?Como poderíamos salvar nossa família?Não deixar que o nome dela fosse esquecido, como? Se por sinal o vovô patriota mal o lembrara!Como salvá-los?Nós?Maldição!Fardados a falha!Homens... Pra que servem alem do puro destino.Fracassar e destruir...Somos bons nisso!  




03:00

  

       De madrugada a televisão pode ser seu próprio inferno. Necessário autoflagelo? Nada emitido pelo quadrado mágico presta e por isso mesmo a chamam de tv aberta. Troco canal por canal, uma meia dúzia de opções todas muito parecidas. Musculação chama logo atenção com uma estrela de Hollywood. Um desses atores de filme de dublê. Olho para meu reflexo no piso da sala: largo; natureza/feio; educação/obeso. Sou este grande porco com um amontoado de lixo, resto de comida que cai das minhas presas. Inundando a casa dos meus pais, devastando por onde passa como uma gigantesca onda, recheada de condimentos miraculosos e envenenados. No momento hot dog ao molho rose.Alguém quer?Tenho preguiça ao excesso, mas nenhuma paciência com o programa, com nenhum outro. Medo ridículo de sujar os aparelhos de ginástica com o meu suor desumano. Sôfrego a muitas revistas de estética para uma cirurgia de estômago. Preguiçoso para quaisquer dietas. Da lua: consuma sucos de fruta, chás, caldos e água.Mal-estar pode causar. Atkins: restringir a ingestão de carboidratos.Problemas cardíacos podem causar. Tipo sanguíneo (a minha preferida): o tipo sanguíneo determina funções digestivas.Sou um vegetariano dócil.Ao menos a dieta diz...        Penso na morte e prefiro-a durante segundas, contudo há cansaço para pegar o revolver do vovô/guerra na mesinha e estourar os miolos. Joelhos ardem ao refletir que não existe nada nesta caixa débil nesta hora, que deveria deitar na cama, mais corpo e mente param por completo.Tilt.Sinta-se à vontade para rir.Ao longe este cara mostrando que no mundo lá fora quilos de gordura servem apenas para sabonete de Madame.Eu vi clube da luta.Comercial.Uma mulher numa banheira com espuma cuidadosamente arranjada por sobre o par de seios.Gostosa.Porem o banheiro nunca está na minha frente e tenho um pequeno pinto.Pode rir se quiser.Sou pura preguiça de andar, falar, matar-me.Essa televisão provocando afasia, todavia o controle caiu de minhas desastradas mãos.Preconceito; sinto por infelizes homens dando pulinhos, com o corpo sarado, preparado, bombado.Nojo.Myself.Como Karol amaria toda essa merda encalhada numa poltrona tamanha de grande.Encalhado!Maionese na boca e migalhas de pão, nunca perco o caminho de volta.Acendo um cigarro.Pode rir.Tenho ódio disso.



...Continua



Thiago "Plaz" Mendes